quarta-feira, 6 de abril de 2016

MEDIUNIDADE, DA INCORPORAÇÃO À CANALIZAÇÃO


A CONSTITUIÇÃO SETENÁRIA DO SER HUMANO

O ser humano apresenta-se com uma constituição setenária, ou seja, dividida em sete partes. A primeira, mais densa, é constituída de matéria mais palpável, sólida e visível. É a camada onde se concentra a maior quantidade de partículas atômicas no mesmo espaço. Corresponde ao mundo físico, como o vivenciamos no cotidiano. A segunda parcela é o campo etérico, uma aura energética que nos integra ao mundo extra-físico. Pelo corpo etérico somos alimentados de prana, a energia universal. Estes dois níveis de existência se exaurem com a morte. Dali pra cima, os mundos estão em planos mais espiritualizados e menos físicos, constituídos de energias mais sutis. Os dois planos mais imediatamente vizinhos da vida física no planeta  são o mundo Astral e o Emocional (também chamado Mental Inferior). Estes são mundos da quarta dimensão, enquanto o nosso físico está na terceira dimensão. Para o terceiro e quarto plano vão as almas dos seres que morrem. 

Este quaternário inferior forma a PERSONALIDADE humana, que é a parte que define nossas peculiaridades. Assim, quando uma pessoa morre e passa para o mundo astral, ela continua ligada ao que foi na última encarnação, assim como em todas as outras anteriores. O objetivo básico de cada encarnação é fazer um aprendizado, como parte do processo de EVOLUÇÃO, que nos conduz à divindade, através da eternidade. Um dos requisitos fundamentais para que se faça o aprendizado é um certo véu de esquecimento, que nos separa das memórias atávicas das vivências anteriores, através da habilidade do Livre Arbítrio, capaz de nos possibilitar seguir ou não o Plano de Vida que foi traçado a cada nova encarnação. Isso significa que numa vida podemos avançar no processo de evolução, ou simplesmente retroagir a um estágio anterior. Um suicídio, por exemplo, pode colocar o ser espiritual da pessoa numa posição milhares de anos para trás no caminho. A humanidade com um todo também pode acabar com a vida no planeta, através de uma hecatombe nuclear, por exemplo. Também é notória a injustiça que comanda a vida humana, com pessoas que tudo possuem e tudo pode, vivendo ao lado de outras que passam fome e carecem das condições básicas de sobrevivência. Tudo isso é provocado pelas incompetências humanas, mas, podem ser remediadas graças à grande generosidade das entidades divinas. A compaixão é o atributo maior da vida; e pode corrigir e eliminar karmas decorrentes do mau uso do livre arbítrio. Nada é definitivo, assim como nada é completamente instável. "Assim como é em cima, é embaixo", esta é a Lei fundamental do Universo, significando que há sempre uma ordem no caos universal. 

A distribuição dos mundos como camadas é apenas para fins didáticos. Na prática, não é dado à mente racional humana o conhecimento de como as várias camadas se interconectam. Mas, é fácil compreender que as pessoas que passaram recentemente pelo fenômeno da morte, são as mais próximas do mundo físico. É por isso que algumas pessoas encarnadas, chamadas médiuns, possuem afinidades especiais com o mundo espiritual e podem estabelecer contatos com essas pessoas que já passaram ao mundo astral. A maioria dessas almas, apesar de estarem num mundo mais sutil,  permanecem ligadas ao plano físico, através de identificação com seus hábitos, sentimentos, pensamentos e comportamentos enquanto no mundo físico, inclusive com muita saudade dos amigos e da família, vinculados ainda a questões pendentes, intrigas ou prazeres, etc. Os médiuns conseguem captar mensagens provenientes destas pessoas e transmiti-las para os que ainda se encontram no plano físico. 


A INCORPORAÇÃO


O médium é o instrumento pelo qual a energia de um ser dos mundos Astral e acima se manifesta. Teoricamente, esta comunicação se dá por uma abertura chamada Tela Búdica, existente entre o corpo astral e o corpo etérico da pessoa que serve como médium, a qual tem essa abertura mais ativada do que as pessoas comuns. Este é um processo que exaure fisicamente o médium e lhe deixa consequências às vezes prejudiciais à sua vida cotidiana. Quando um médium permite a incorporação de um ser que está no campo do umbral, o inferno astral, ele se contamina com a energia daquele ser. E mais, nem sempre a mensagem transmitida terá o carimbo da autenticidade. Várias entidades das sombras se fazem passar por seres desencarnados e "baixam" sobre médiuns mal preparados, notadamente em rituais sem o cuidado essencial da preservação da qualidade espiritualista. Isso também é fácil de entender. Um espírito que se encontra em fase evolucional superior, não vai querer retornar ao mundo físico. Ao contrário, ele vai buscar elevar-se a planos cada vez mais altos, na busca do mundo causal, a porta de entrada para o verdadeiro mundo espiritual divino. Aqueles espíritos que se encontram ainda apegados às energias densas do mundo físico e suas emoções, a estes atrai mais a incorporação. Se o médium permite a qualquer espírito que se apresente, a possibilidade de incorporar-se, estará sujeito a toda sorte de influências físicas sobre si, além da péssima energia do mundo astral inferior, o limbo astral.

Há casos de médiuns que passaram a vida inteira fazendo o papel de intermediários, e deixaram obras importantíssimas para a humanidade, encarnando seres de dimensões superiores. Neste caso, médiuns como Chico Xavier, entre outros, que eram usados como psicógrafos, uma escrita automática ditada por entidades do mundo astral, mental ou mesmo causal, na fronteira entre alma e espírito. A psicografia é uma ponte para um nível superior de comunicação astral. 



A CANALIZAÇÃO  


Uma das coisas que diferencia o processo de psicografia do processo de canalização é a característica sempre consciente da segunda. Outra é que o processo se dá através da glândula pineal nos seres vivos, ao invés da chamada tela búdica da incorporação. Da glândula pineal, a mensagem passa direto ao chakra do coração, sem interferência da mente racional, responsável por muitas falências no processo de comunicação dos Mestres ascensionados para os pobres humanos no campo físico. Os cinco sentidos humanos não conseguem compreender aquilo que vem de uma dimensão superior, por isso é necessário eliminar sua interferência nas mensagens canalizadas. Esta é uma comunicação que diz respeito direto à Alma do ser encarnado, e não à sua mente concreta. 

Todo ser humano é dotado de um recurso chamado Consciência. Ela está localizada entre o campo mental inferior e o superior, também chamado causal, a porta de entrada para o mundo espiritual divino. Corresponde ao âmbito da INTUIÇÃO, ao invés do pensamento racional. Através desta porta se dá o processo de canalização. Muitas vezes, esta é uma missão assumida pela pessoa no pacto reencarnatório e vai se manifestar na hora apropriada. Mas, também é possível adquirir-se esta capacidade por meio do treinamento e da disciplina psíquica. Qualquer médium que incorpora, pode passar a canalizar. A questão diferencial é a qualidade da mensagem. Se um espírito se apresenta e o médium percebe sua qualidade inferior, deve barrar sua entrada, mentalizar no campo concreto uma mensagem de paz e encaminhá-lo de volta a seu mundo. Não precisa aceitar sua incorporação. Um teste melhor seria examinar as sensações e impressões provocadas pelo material que está lhe sendo transmitido. Se o tom geral da informação é de elevação espiritual, se apresenta uma visão idealista e positiva na postura do canal comunicante, neste caso não restará dúvida de que se trata de um ser superior. Na mediunidade comum, só se pode atingir o plano imediatamente vizinho do físico, o plano Astral, mas, na canalização espiritual, existe uma expansão da mente, da consciência e da vontade. O médium, neste caso, é um canal entre vários planos, podendo passar mensagens de seres que estejam em planos superiores, como o mental e o causal. 

Hoje em dia, os vários movimentos que estudam e praticam a espiritualidade humana estão sensíveis a esta diferenciação entre incorporação e canalização. Mesmo a Umbanda, defende que o melhor é a energia da canalização. Centros Espíritas seguem na mesma direção. As igrejas convencionais cristãs continuam achando que é  "coisa do diabo". Paciência, não há o que fazer. A não ser esperar que a Era de Aquário revele mais coisas que ainda não sabemos.     








  



sábado, 2 de abril de 2016

LUZES DO CEDRO BAIXO DE BRUSQUE - "Era de AQUÁRIO e a despedida do MESTRE JESUS"


O Sol atravessa 12 
constelações zodiacais em um ano:
Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra,
Escorpião,  Sagitário, Capricórnio, Aquário e 
Peixes.





ERA ZODIACAL - O que é isso ?


Signo, do latim signu quer dizer SINAL. Acredita-se que eles reflitam a relação entre o Ser Humano e a Terra, apreendidas através da observação de eventos e fenômenos naturais, desde o início da vida no planeta. Assim como o Signo de uma pessoa lhe atribui alguns protótipos naturais, que vão ou não corresponder depois à sua experiência real, as Eras também são regidas por Signos, que atribuem a elas características próprias de seu modelo cósmico, o que os astrólogos chamam de "órbitas de influência". 

A volta do sol em torno da Terra dura um pouco mais de 365 dias. Na verdade são quase seis horas a mais. Quando o sol passa pelo que seria a constelação de Áries, começa a primavera no hemisfério norte e o outono no hemisfério sul. É o início do ano zodiacal. A partir deste ponto a Eclíptica é dividida virtualmente em 12 partes, gerando os 12 signos zodiacais, 3 para cada estação do ano. Como essa volta dura um pouco mais do que os 365 dias “fixos”, a hora de início de um ciclo nunca será a mesma do ano anterior. Por esta razão, e por causa do giro que a Terra dá sobre o próprio eixo, como um pião - o ponto de início do ano zodiacal anda para trás 1 grau a cada 72 anos. Na verdade, este movimento retrógrado é tão lento, que para que o Sol se atrase o equivalente a um Signo completo, leva-se 2.156 anos. Esta é a duração de uma Era Zodiacal. Um ano sideral completo é a rotação retroativa do sol pelos 12 signos do zodíaco, ou seja, pelo conjunto das 12 Eras Zodiacais. Atrasando 1 grau a cada 72 anos, este grande ciclo leva 25.868 anos. É muito mais do que a história humana conseguiu registrar, e, no entanto, trata-se apenas de uma fagulha do tempo divino. O que nos resta concluir é que sabemos muito pouco sobre nós mesmos. O Homem é apenas um microcosmo do Universo, de modo que a afirmação esotérica "assim como é em cima, é embaixo", vem a ser uma das chaves para a humildade, algo necessário à compreensão de que a realidade vai um pouco mais além daquilo que vemos com os olhos. 



ERA DE PEIXES
A atual fase histórica da humanidade corresponde a transição da Era de Peixes para a Era de Aquário. A transição de uma Era para outra, também não é um evento fixo, com hora marcada. As características marcantes da era que se exaure, vão entrando em decadência e perdendo força, enquanto as da nova Era tentam se firmar e reunir poder para se tornar o novo paradigma, a nova ordem mundial.  Os dois mil anos passados na Era de Peixes viu o apogeu do cristianismo, principalmente no mundo ocidental. Talvez não exatamente como tenha sido projetado pelo Mestre Jesus, mas, conforme foi construído pelos homens. O cristianismo deu o azar de ter sido adotado pelo império romano como sua religião oficial, uma forma de combater as influências pagânicas que vinham das tribos bárbaras europeias, que afinal acabaram por destruí-lo. Nesta oficialização, muitos dos ensinamentos originais de Jesus já se perderam, substituídos pelas necessidades políticas de preservação do estado romano. Depois da falência de Roma, a igreja católica não ficou muito tempo unida. Logo o patriarca de Constantinopla, atual Istambul (Turquia), proclamou a sua independência de Roma, fundando a igreja do oriente, atual Ortodoxa. Em seguida vieram as reformas protestantes de Lutero e Calvino. Logo a dissidência do rei da Inglaterra. Todos estes "rachas" atendiam motivações políticas e comportamentais, e cada um ampliou um pouco mais as diferenças entre os diversos cristianismos. A superstição e os dogmas foram remarcados a cada novo momento histórico. Constantinopla foi tomada pelos muçulmanos e a igreja ortodoxa teve que se reagrupar na Grécia e no norte da Europa, notadamente na Rússia, gerando mais cismas. A ordem era "Fé cega e faca amolada", usadas como ferramentas para o confronto político religioso. 

Embora Jesus tenha pregado o amor em sua plenitude, "não faças aos outros o que não queres que te façam", o que se viu neste período é a prevalência da intolerância em todos os níveis. Justamente ao contrário do protótipo de Peixes. Jesus foi o típico representante deste signo, que agrupa pessoas de natureza suave, compassivas, sensíveis aos sentimentos dos que os rodeiam, com posturas solidárias frente a qualquer tipo de problema, de boa índole, que se sacrificam pelos demais.  Não oferecem qualquer perigo ou ameaça, tal como o comportamento de Jesus ao chegar em Jerusalém na semana de seu sacrifício: seguido por uma multidão de andarilhos, ao invés de um exército; montado em um jumento, no lugar de um cavalo guerreiro, decepcionou os líderes separatistas judeus que o queriam para rei guerreiro, o líder que iria libertar Israel do jugo romano. Jesus, ao contrário, não estava nem aí. "A Cezar o que é de Cezar, a Deus o que é de Deus".  Sua postura mansa causou indignação em seu mais bem preparado apóstolo, do ponto de vista intelectual, o Judas Iscariotes; e talvez este tenha sido o real motivo da traição, e não os trinta dinheiros.

Desta experiência recente, se compreende que nem sempre o protótipo modelo de uma Era Zodiacal atinge os resultados esperados. Será que o cristianismo falhou em sua missão, junto com a Era de Peixes? O que podemos afirmar com certeza é que a humanidade saiu melhor para esta transição com Aquário. A idade de Peixes, governada pelo protótipo da mansidão e pelo planeta Júpiter, da benevolência e da filantropia, substituiu a idade de Áries, governada por Marte, o deus da guerra. Que o digam os impérios sangrentos que ocuparam o mundo dois mil anos antes de Cristo. 

Peixes, a era da ilusão baseada na Fé, abriu caminho para a era de Aquário, que tem características originais inventivas, científicas e místicas. Se Peixes tratava a religião como fé dogmática incontestável, em Aquário a religião estará a serviço da ciência, e vice versa. 



ERA DE AQUÁRIO
Desde os anos 1960, vem se formando uma onda que pretende modificar o atual estado de coisas da humanidade. O propósito não declarado nem formalizado deste movimento multi cultural é atingir um novo patamar de consciência, para uma nova forma de ser e agir, a serviço da vida no planeta. Não há aspecto do mundo moderno que não tenha sido tocado por esta visão de mundo, em diferentes planos como o artístico, o religioso, o ecológico, o psicológico, o econômico, o político, etc. Este movimento ganhou inclusive uma marca: NOVA ERA. Desnecessário se torna dizer que o nome desta nova era é AQUÁRIO. 

Segundo alguns astrólogos e astrônomos, o Sol começou a viajar no grau inicial da constelação aquariana há mais ou menos 150 anos,  justamente quando no campo religioso as figuras de Kardek e Blavatsky começaram a juntar de novo Oriente com Ocidente. Aspectos dessa união podem ser verificados quando o cristianismo começou a trabalhar com os conceitos de reencarnação e karma, tradicionalmente repelidos pelas igrejas convencionais no ocidente, enquanto o budismo oriental lança bases de estudos para aspectos racionais e científicos, que ajudam a explicar o mundo.   Nos últimos cem anos, se produziu mais pensamento e mais inovação do que em toda a história da civilização.  O foco do ser humano está deixando o plano físico e se elevando para o mental-espiritual. O mundo ocidental aprendeu a fazer meditação e o oriente está fabricando automação industrial. Isto nada mais é que o espírito de Aquário se impondo como o novo padrão. 

Sendo Aquário um signo de ar, científico e intelectual, a religião preponderante haverá de ser não dogmática, aberta e tolerante. O Sol adentrando paulatinamente mais para o centro da constelação aquariana, a Terra tenderá a visualizar melhor a transmissão das ondas espirituais, e não é difícil imaginar que se encontre uma explicação científica para a vida depois da morte, unindo ciência e religião. O medo da morte, uma das principais causas do desespero humano, será coisa do passado. A física quântica já está colocando abaixo as barreiras entre tempo e espaço. A medicina da nova era haverá de ser humana e espiritualizada, sem deixar de ser científica e racional. Neste sentido, estamos vendo o sucesso que fazem os pensadores, filósofos, religiosos e cientistas orientais nos principais países do ocidente, especialmente os indianos nos Estados Unidos e Europa. Há uma verdadeira integração de conhecimentos, inclusive religioso. O Papa Francisco de hoje não tem nada a ver com os Papas de cem anos atrás. "Haaa, mas tem o Estado Islâmico, os ditadores africanos, a fome e as demais desgraças pelo mundo afora". É verdade. Vamos levar mais uns 500 anos para chegar no apogeu de Aquário. Sim, haverá fome e ranger de dentes. Não pensemos que as forças das sombras se entregarão sem resistência. Mas, o caminho será trilhado. É a Lei.



A "ÚLTIMA CEIA" como TRANSIÇÃO


No ano de 1495, Leonardo da Vinci começou a pintar sua última obra para seu patrocinador, um nobre da cidade italiana de Milão. Era um afresco na parede da sala de refeições de um mosteiro na cidade. Chama-se "A Última Ceia" e retrata o Mestre Jesus em seu último encontro com os apóstolos. A obra é muito significativa como expressão das possibilidades de transição entre vários mundos e realidades. Jesus está no centro e, para cada um dos lados se reúnem dois grupos de apóstolos a conversarem,  dois do lado escuro da sala (inconsciente, signos de meses frios) e os outros dois grupos no lado claro (consciente, signos de meses quentes no hemisfério norte). A cada signo do lado claro, corresponde um signo do lado escuro. Por exemplo: Leão, representado pelo segundo apóstolo da direita de Jesus no lado claro, é o signo do coração por excelência. Tiago Menor abre os braços em expansão, como raios, já que é regido pelo Sol. Completamente fiel a Jesus, não lhe parece cabível que o Mestre possa ser traído por alguém. Já seu oposto está representado pelo segundo apóstolo da esquerda para a direita, no lado escuro. Tiago Maior representa Aquário, o signo do cérebro. Ele está conspirando no ouvido de André, enquanto toca no ombro de Pedro, conclamando ambos a se juntarem, afim de fazerem a Revolução. Enquanto Leão se veste totalmente de verde, a cor da lealdade e do amor incondicional, Aquário se veste totalmente de vermelho, a cor da paixão. Isso evidencia que cada lado tem sempre seu oposto e que a evolução está no equilíbrio.
Ao final da sala em perspectiva na obra, há três janelas abertas para o céu. Jesus nos convida a sair por aquelas janelas, mas, para fazer isso, a passagem ter que ser através dele, "ninguém vai ao Pai, a não ser por mim", ou seja, a porta para a libertação dos limites, impostos pela distorção ambígua dos lados conflitantes, é o AMOR. A lição que o Mestre Jesus tentou passar foi a do Amor, mas ele não conseguiu sucesso na sua implantação universal em seu tempo devido, embora as sementes tenham sido espalhadas. Aquário, a Era entrante, é regida pela casa dos ideais. Dos amigos que comungam das mesmas ideias. Neste sentido, a porta de passagem para a liberdade, continua sendo através do Amor.

Esta pintura representa o momento final de Jesus, antes de sua crucificação. Porém, é o momento em que se está também nascendo a Era de Peixes. A "Última Ceia" é a despedida de Jesus, para uma mudança de status. Sai do mundo dos "encarnados" para voltar para o "seu" mundo, provavelmente para o céu, o mundo átmico, dada sua condição espiritual. Nesta condição, ele não só tem poder para ir e vir na hora que achar necessário, assim como assumiu o papel de mentor espiritual da Era de Peixes. Então, na verdade, ele está se retirando pra valer apenas agora. Portanto, a "Última Ceia" pode ter sido concebida por Da Vinci, como representativa da transição de Peixes para Aquário.

Jesus não voltará mais. Pelo simples fato de que ele nunca se foi. Sua presença messiânica no mundo físico, deu-se por resolução divina e tinha o propósito de permitir um salto quântico da humanidade, no caminho da evolução. Este salto seria dado na Era de Peixes, e, como proposta evolucional foi um sucesso.  Para quem a aproveitou. Com o fim da Era de Peixes, Jesus vai coordenar outras missões de Luz, talvez em outros mundos. Seu papel para a Terra será assumido por outros mentores da Era de Aquário, que representarão um Avatar específico para este tempo vindouro. Com certeza, o catolicismo e seu complemento protestante não será o guia para a nova religiosidade do novo ciclo. 

Quando estava na cruz, Jesus pronunciou sua fase final: "Pai, por que me abandonastes?". Este é um dos principais pontos de discussão entre especialistas e teólogos cristãos. Jesus teria perdido a fé? Na interpretação de alguns, Jesus, na sua condição de membro da santíssima trindade, podia visualizar o resultado de seu esforço pessoal, através dos tempos. Ali, na hora extrema enquanto encarnado, soube que uma grande quantidade de espíritos continuariam na ignorância pelas eras infinitas. Não aproveitariam a oportunidade de dar o salto para o Amor, de fazer a passagem evolucional. E Jesus se lamentava por isso. Se formos observar, de fato os espíritos humanos, encarnados ou não, se encontram em diversas fases de evolução. Há os que sequer saíram da terceira raça e permanecem num nível de evolução semelhante ao dos lemurianos. Outros ainda não saíram de uma Atlântida decadente da quarta raça. Mas, felizmente já há muitas almas iluminadas encarnando nos tempos atuais, em fases bem adiantadas da quinta raça, como certas crianças que estamos vendo chegar a este mundo nestes dias. A humanidade será sempre assim, multi facetada e incongruente em seus vários aspectos espirituais. Ainda que a salvação seja oferecida para todos, sempre haverá os espíritos que irão preferir continuar nas trevas.

Outro dogma cristão recorrente é sobre um certo julgamento final. Jesus não vai julgar ninguém. Há um julgamento, sim, mas ele é feito pela própria consciência de cada um. A cada novo patamar de evolução, sobe o nível de auto exigência espiritual. A cada nova oportunidade de reencarnação, há uma nova chance, com um novo projeto de vida, que depois será confrontado com o resultado final. Não há como fugir da responsabilidade. Evoluir é estar sempre olhando para si mesmo.






terça-feira, 22 de março de 2016

Luzes do Cedro Baixo de Brusque - "A ÚLTIMA CEIA"


A antiga localidade Cedro Baixo de Brusque (1880), atualmente é chamada Dom Joaquim, em homenagem ao arcebispo metropolitano de origem portuguesa, que ficou à frente da principal arquidiocese de Santa Catarina por longos 54 anos, entre 1914 e 1967, ano em que faleceu na cidade de Florianópolis. Em Cedro Baixo existe um grupo espiritualista que se reúne a cada 14 dias, para estudar e praticar aspectos múltiplos da religiosidade humana. No último encontro, o tema escolhido foi uma das obras primas de Leonardo da Vinci, o afresco denominado A ÚLTIMA CEIA. 




Leonardo nasceu numa pequena aldeia rural (Vinci), situada entre Florença e Pisa, no norte da Itália. Apesar da origem, teve uma formação clássica, graças à visão progressista de seu pai. Dominou amplas áreas do conhecimento, como anatomia, engenharia, matemática, música, história, arquitetura, escultura e pintura. Em 1469, aos 17 anos, o artista vai para Florença, o centro artístico por excelência da Itália renascentista. Ali passa 13 anos de sua juventude, aprendendo tudo sobre arte com os renomados mestres de Florença. Em 1482, aos 30 anos de idade, segue para Milão, aceitando ficar sob a proteção de um nobre local, Duque Sforza. Para o monastério mantido por este nobre é que Da Vinci executa a obra A ÚLTIMA CEIA, pintada na parede da sala de refeições dos monges.  

Significado astrológico da Última Ceia


O primeiro aspecto que se observa na obra, é o agrupamento dos apóstolos em quatro grupos de três. Uma primeira interpretação evidente é que o significado da vida está vinculado à eterna submissão da realidade passageira,  para com os aspectos do eterno e perene: as quatro estações (primavera, verão, outono, inverno) e os quatro elementos naturais (água, ar, fogo e terra). Em seguida se observa que os apóstolos estão agrupados seis à direita e seis à esquerda de Jesus. Este aspecto leva a uma concepção zodiacal da obra, com os signos representados pela aparência e postura dos personagens, assim como pela concepção de que os signos dos que estão à direita, são o lado contrário e antagônico dos que estão à esquerda de Jesus. Obter o equilíbrio entre os dois lados é a missão do aprendizado nesta passagem terrena.  Da direita (lado visual e claro) para a esquerda (lado escuro e inconsciente), vamos observando os signos e seus representantes. Para isso, vamos nos valer da interpretação do astrólogo Pedro Tornaghi e seu livro "Leonardo Astrólogo". 



ÁRIES – APÓSTOLO SIMÃO
Simão tem uma expressão muito enérgica e firme, olha nos olhos de Judas Tadeu. E Áries gosta de falar olhando no olho do outro. As duas mãos decididas para frente do apóstolo sugerem que ele é possuidor de dons próprios, indicando algo que deve ser feito. Já o fato de ele estar sentado na cabeceira, mostra a liderança ariana, além de impulsividade.
TOURO – APÓSTOLO JUDAS TADEU
Judas Tadeu está em uma posição receptiva. O pescoço para a direita mostra que ele está ouvindo as ideias e, ao mesmo tempo, questionando a praticidade e viabilidade do que Simão propõe. A união de receptividade e desconfiança formam a típica postura pragmática do taurino: dificuldade de aceitar fantasias e disciplina para ouvir as ideias. 
GÊMEOS – APÓSTOLO MATEUS
O rosto para um lado e os braços para o outro no quadro, mostra um lado disperso e indefinido, que é característico de Gêmeos. Ele está comunicando duas realidades diferentes: “Gêmeos tem esta multifacetação, cede um pouco a cada um dos lados. Ele tem essa capacidade de dar atenção a dois ao mesmo tempo. Uma sensibilidade, curiosidade e agilidade mental.” 
CÂNCER – APÓSTOLO FÍLIPE
Fílipe está virado na direção de Cristo com olhar suplicante. Quer sensibilizar e envolver os outros sempre. As duas mãos voltadas para o próprio peito mostra a tendência de introversão de Câncer. O apóstolo está mostrando quanto o sentimento é importante para ele, algo primordial ao canceriano. 
LEÃO – APÓSTOLO TIAGO MENOR
Esse apóstolo abre os braços em expansão, como raios, combinando assim com Leão, que é regido pelo sol. Ele está expandindo a energia dele, advogando que Jesus seja o centro da cena. Tiago Menor se mostra profundamente indignado com a traição, porque Leão não consegue viver na desordem.
VIRGEM – APÓSTOLO TOMÉ
Tomé levanta o próprio dedo para Jesus. Virgem gosta de criticar, opinar e sugerir, é muito perfeccionista. Para ele, a expressão extremamente atenta do apóstolo mostra a tendência virginiana de buscar a melhor solução possível. 
LIBRA – APÓSTOLO JOÃO
João tem os dedos entrelaçados numa postura meditativa no quadro. Mostra a tendência de Libra de querer meditar sobre a situação e se posicionar assertivamente, é o oposto de Áries. O apóstolo busca esfriar o calor das emoções para considerar melhor o assunto em questão. 
ESCORPIÃO – APÓSTOLO JUDAS ISCARIOTES
Judas Iscariotes olha pra Cristo desafiadoramente, se recolhe ao silêncio. Uma estratégia tipicamente escorpiana. Como um vulcão, parece calmo, por fora, mas por dentro é intenso. Judas, na pintura está quieto, mas pronto para dar o bote quando for necessário.
SAGITÁRIO – APÓSTOLO PEDRO
O símbolo de Sagitário é um centauro, metade humano, metade animal. A parte animalesca do signo está em Pedro na faca que o apóstolo esconde. Ele está escondendo seu instinto animal. Enquanto isso, a outra mão dele está apontando para o divino. Pedro tem uma postura professoral. Quer dizer para os outros como deve agir, que caminhos o outro deve seguir, comportamento característico de Sagitário. 
CAPRICÓRNIO – APÓSTOLO ANDRÉ
Ele está com a típica postura de cautela de Capricórnio, como quem diz: ‘Vamos refletir’, ‘Vamos tentar ser Maduros’”. A postura do apóstolo é a mais vertical de todas, o que mostra como o signo busca a responsabilização por tudo. 
AQUÁRIO – APÓSTOLO TIAGO MAIOR
Tiago Maior está conspirando no ouvido de André, inflamando os outros para fazer a revolução. Na pintura ele também está tocando Pedro, querendo juntar os dois para uma ação em comum, mas ao mesmo tempo sendo discreto. “Aquarianos são os mais revolucionários, mas buscam a discrição.” 
PEIXES – APÓSTOLO BARTOLOMEU
Apesar de estar no canto escuro da tela, Bartolomeu tem os pés iluminados. Além disso, o apóstolo está de pé porque quer ver a cena de cima. “Não se posiciona com relação ao que está acontecendo. Bartolomeu está só contemplando, parece só querer entender tudo”.

Significado esotérico da Última Ceia

Para abordar este aspecto desta específica obra de Da Vinci, usamos como referência um estudo feito pela corrente teosófica chamada Gnosis,  no campo de pesquisas que eles chamam "antropologia gnóstica". 



Jesus está rodeado por seus 12 Apóstolos. São o Sol e seus 12 Planetas. Sim, nosso Sistema Solar possui 12 planetas, três dos quais ainda não foram descobertos pela ciência acadêmica, segundo o pensamento gnóstico. Estes planetas ainda ocultos seriam: Vulcano, Perséfone e Clarión. Atenção materialistas, estes planetas ocultos podem ser apenas objetos mantidos na quarta dimensão ou superiores, não identificáveis pela nossa vã percepção física da terceira dimensão. Quem sabe sejam coisas como o mundo dos mortos, o inferno ou o purgatório ? Há mais mistérios entre a terra e o ar, do que os simples aviões de carreira. 
Ao lado direito de Jesus (à nossa esquerda), um personagem feminino se destaca.  Seria João, o discípulo amado de Jesus, ou uma mulher, Maria Madalena, sua esposa-sacerdotisa(?).  Observe que esta mulher possui expressões típicas do pudor feminino, ela estaria usando uma corrente de ouro no pescoço e afasta-se de Jesus com uma coqueteria feminina, incontestável.
A figura feminina e Jesus usam o chamado “efeito espelhado”: Jesus está usando túnica vermelha e manto azul. E Madalena, túnica azul e manto vermelho. O “espelho” simboliza a entrada para uma realidade oculta. Um crítico de arte verá que os grupos formados por Jesus e Madalena, pelo afastamento de Madalena, formam um M no centro do Quadro.   O M foi um código muito usado pelos Templários e sobre o qual existe controvérsia: M, símbolo da Constelação de Virgo, pode ser também o M de Madalena, venerada pelos Templários? Ou seria o Eterno Feminino de Deus, nossa Mãe Divina?   No afresco de Da Vinci, aparece uma “mão anômala” fazendo o “gesto ou dedo de João” (o Batista), tão caro a Jesus. Apesar de ser a cena do Sacramento Mágico da Eucaristia, não há vinho ou pão na mesa posta por Da Vinci (o pão estaria reduzido a migalhas). Na verdade, Da Vinci representou os 12 Trabalhos de Hércules, que são os passos iniciáticos necessários para encarnarmos o Cristo Interior. Essas 12 faculdades superiores de nosso Ser Divino são representadas na tradição cristã-gnóstica como os 12 apóstolos, mas podem ser vistas também nos 12 Cavaleiros da Távola Redonda.

Outro aspecto interessantes da obra de Da Vinci é sua contradição com o que representava a catedral de Notre Dame, em Paris, que teria sido concebida pelos maçons quatro séculos antes, com a intenção de elogiar o passado. Aqui, Da Vinci focaria no futuro da humanidade,  como representado na figura do Apóstolo João, tão feminino quanto masculino, os cabelos iguais aos de Jesus, significando que o crescimento espiritual não tem sexo nem idade. 

Percebe-se ao fundo da pintura, três janelas abertas. Representariam a santíssima trindade, da qual Jesus seria o componente do meio, o mais importante para o homens,  por que representaria a porta de passagem para uma nova realidade, entre o mundo físico e o espiritual. Também se notam quatro janelas fechadas a cada lado da sala. À esquerda estão as janelas escuras, representando o aspecto inconsciente da vivência humana, a ignorância. À direita estão as janelas claras, que representam a consciência, que deve ser iluminada pela presença de Jesus na vida das pessoas. Aqui, Jesus não é o salvador da humanidade pelo seu sangue derramado, mas, o personagem clarificante de uma realidade até então inconsciente, desconhecida do ser humano em sua caminhada pela vida. Neste sentido é que Leonardo assume a presença de Jesus, como o mestre iluminador das consciências. 

A morte de Leonardo da Vinci



Leonardo da Vinci sempre viveu entre Milão e Florença, em conformidade com os patrocínios que recebia dos nobres ricos da região. Em 1513 foi convidado para viver no Vaticano, em Roma, ao lado de artistas como Rafael e Michelângelo. A partir de 1516, já considerado um ancião para a época, aos 64 anos foi convidado pelo rei da França, para fazer algumas obras de sua especial preferência artística, a escultura. Tornou-se grande amigo do rei, e segundo consta a crônica mundana da época, tornaram-se amantes. A bissexualidade de Leonardo já era então bastante conhecida. Por conveniência ou não, aceitou a oferta do rei para fixar-se no Vale de Loire, onde lhe foi destinado um castelo em Amboise, para abrigar ele e seus discípulos italianos, entre os quais consta a presença de Catarina de Médici, da família dos papas tradicionais neste período. Ali morreu Da Vinci, nos braços do rei Francisco I, no ano de 1519, aos 67 anos de idade.   








segunda-feira, 21 de março de 2016

Luzes do Cedro Baixo de Brusque

O Cedro sempre foi considerado uma árvore sagrada

Até a década de 1950, a atual localidade chamada Dom Joaquim, em Brusque, tinha o nome de CEDRO BAIXO, devido a grande quantidade deste arvoredo em sua mata ao redor. Os primeiros a se fixarem na localidade, por volta de 1880, foram imigrantes alemães, a maioria professantes da fé Luterana. Os descendentes de alemães ainda predominam na área, embora a religiosidade da população local tenha se transformado numa grande salada ecumênica, como atestam as várias igrejas e templos ali existentes.  A inspiração inicial do então abundante CEDRO, símbolo oficial da cidade de Brusque,  continua dando seus frutos, embora a árvore propriamente dita já esteja quase extinta na região. 

O Cedro é uma árvore mundialmente conhecida, em suas diversas variedades, e está associada intimamente com a prática da religiosidade. Na Bíblia dos judeus e cristãos, o cedro está citado 75 vezes. No campo muçulmano, o Cedro também é sagrado para muitos praticantes, sendo a árvore símbolo do Líbano, que a produz em grande quantidade.  A sua madeira, homogênea e aromática, foi bastante utilizada na antiguidade. Pelos Fenícios, para construir as suas embarcações militares e comerciais, bem como para a construção de templos e habitação. Os Egípcios utilizavam a sua resina na prática da mumificaçãoHá vestígios da sua serragem até nos túmulos dos Faraós. Papiros antigos comprovam a sua grande comercialização entre Líbano e Egito.


Moisés aconselhava os sacerdotes judaicos a utilizarem cascas de Cedro durante a circuncisão dos meninos e no tratamento de doenças da pele. De acordo com o livro sagrado Talmude, os Judeus queimavam madeira de cedro no Monte das Oliveiras para anunciar o início do ano novo. Vários reis da região do Oriente Médio o procuravam nas montanhas do Líbano,  para as suas construções civis ou religiosas,  sendo o caso mais famoso o da construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. 


Réplica artística do que teria sido o Templo de Salomão original.
A madeira de cedro revestia o teto e as paredes internas.





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O CATOLICISMO É DIFERENTE


Quando chegam na Porta Santa da Catedral de Compostela,
as peregrinas estão bem cansadas e merecem um momento de repouso. 

Vale dos Caídos, homenagem do ditador Franco a seus soldados mortos na guerra.


Quando vejo os pastores protestantes do ramo dos pentecostais reverberando suas mensagens de condenação e salvamento, lembro dos rituais da umbanda. Ambos são baseados na catarse. É um estado de alma que se altera unicamente pela emoção do momento. Alguns crentes podem dizer que é pela energia que circula no ambiente. São apenas variações em torno da mesma coisa !
Os demais protestantes do ramo tradicional, são tão chatos que as pessoas dormem nos cultos. Não que eles sejam ruins. As palestras dos pastores, sempre elegantes e falando uma linguagem educada, podem até trazer brilhantes mensagens aos seguidores, mas, infelizmente são desprovidos da mesma alegria e movimento da macumba e dos êxtases e "aleluias".  
Já as missas católicas se aproximam da primeira classe, baseada na emoção. Primeiro pela extrema beleza de seus templos e da  ritualística das missas. As cidades históricas de Minas Gerais não seriam nada sem seus templos católicos. Quando todos os sinos de todas as igrejas de São João del Rei, por exemplo, tocam ao mesmo tempo numa manhã de domingo, cada qual com seu ritmo e altura típicos, a cidade se transforma numa chama sonora, que a todos ilumina, independente de serem ou não católicos praticantes.
Mas, mesmo dentro do catolicismo, há diferenças de rituais marcantemente opostas. Eu já vi dezenas desses templos famosos da Europa, tanto como visitante comum, quanto como participante de um coral católico que excursionou por lá. Percebi que uma espécie de ideologia suporta os estilos diferentes dos templos. Fátima é conservadora, Pilar de Zaragoza é alegre e extrovertida. As igrejas da França são formais e austeras, como a Notre Dame de Paris, ou jovens e esportivas como a catedral de Chartres, todas com seus vitrais maravilhosos, uma características das catedrais francesas. Mas, a principal diferença está entre Compostela e Vale dos Caídos, ambas na Espanha.

Vitrais de Notre Dame
Vitrais de Chartres


Catedral de Santiago de Compostela

Catedral do Vale dos Caídos

Compostela é uma cidade onde supostamente o apóstolo São Tiago teria sido sepultado, depois de percorrer a Europa pregando o cristianismo. Vale dos Caídos é um monumento com o qual o ditador Francisco Franco procurou homenagear seus soldados mortos na guerra civil. Na base da montanha onde estão enterrados seus milhares de corpos, encontra-se uma basílica toda construída em pedras, retiradas da própria montanha. Na verdade, ela está incrustada na própria rocha. Um projeto belíssimo, mas a catedral é toda fechada em cores escuras. A energia que circula no ambiente é extremamente pesada.
Enquanto em Compostela, na missa de domingo meio dia, destinada a receber os peregrinos, a alegria é a energia dominante, e seu idoso bispo de longos cabelos brancos sai da missa dançando, acompanhado por uma legião de crianças, do outro lado, no Vale dos Caídos, o silêncio é total, e só se ouve a voz uníssona e sepulcral do oficiante, a dirigir a cerimônia. No palco de Compostela, padres do mundo inteiro celebram a alegria em várias cores. Padres negros africanos vestem suas roupas coloridas, enquanto os espanhóis, mais conservadores, vestem batinas de extremo bom gosto em tons brancos e vermelhos. Vi até um padre japonês pintado de loiro. Já no Vale dos Caídos, os padres vestem apenas negro, enquanto os coroinhas meninos respondem a cantos em latim e vestem cinza.
A presença de mulheres também é outro diferencial muito interessante. Em Compostela, as meninas entram na catedral de bermudas ou shortinhos, quando não com suas vestimentas de peregrinas, alegres e risonhas com seus cajados para lá serem deixados, enquanto no Vale dos Caídos as poucas mulheres vão cobertas de preto, dos pés à cabeça, ornamentadas com seus chales e véus.
Que tipo de igreja católica você teria preferido ?
Grande abraço e desculpe, caso alguém tenha se ofendido com os comentários !





terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

MEMÓRIA HIPPIE - ÍCONES INVERTIDOS



JOÃO SANTANA, O MARQUETEIRO DO MAL

João Santana era um músico e poeta hippie em Salvador (BA). Também ajudava os jornais nanicos que combatiam a ditadura. Até que, quando chegou na virada do milênio, resolveu mudar sua vida e começar a ganhar dinheiro. Entrou para o ramo da publicidade, trabalhando com o premiado Nizan Guanaes. Ali descobriu que o tesouro estava nas campanhas políticas e passou a trabalhar com Duda Mendonça. Aproximou-se do PT na campanha vitoriosa de 2002, cujo marqueteiro era justamente Duda Mendonça. Dali pra frente, foi só correr para os abraços ! E os dólares !  

Nos dias de hoje, depois de conquistar o sonhado status de milionário, comporta-se conforme o esperado. Quer acumular mais poder e mais dinheiro. Foi além da função de marqueteiro e tornou-se conselheiro profissional na política petista comanda por Lula. Está sempre à disposição do partido, além de ajudá-lo nas campanhas, tanto no próprio Brasil quanto no exterior, trabalhando em campanhas de políticos afinados com Lula. Comandou a vitória de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo e perdeu a campanha do sucessor de Cristina Kirchner na Argentina. Em ambas, colocou Lula no centro do palco. Para o bem ou para o mal.  Agora, quando estava em campanha novamente para renovar o mandato do corrupto presidente de El Salvador,  eis que a justiça brasileira descobre suas ligações com a corrupção nos contratos da Petrobrás, em operações mais que complicadas. Tanto recebia dinheiro ilícito em contas no exterior, quanto mandava de volta ao Brasil, para abastecer o caixa dois do PT. 

Triste fim para um sujeito que pregava apenas o lema hippie "faça amor, não faça guerra".  João Santana, sob o apelido Patinhas, participou da gravação do álbum Jóia, de Caetano Veloso, em 1975.




ÍCONES INVERTIDOS. A SUÁSTICA
Símbolo do horror e da boa sorte - Veja a diferença
A palavra vem do sânscrito "svastika", que significa "condutora do bem-estar". Conhecida como símbolo de boa sorte pela maioria das culturas, a suástica ornamentava as moedas da Mesopotâmia 3 mil anos antes de Cristo e também aparecia na arte de povos como os bizantinos e os primeiros cristãos. Os índios maias, da América Central, e os navajos, da América do Norte, também a retrataram - e ainda hoje ela continua a ser usada como símbolo de fortuna pelos hindus. Quem trouxe a suástica como um símbolo místico para o ocidente, foi Madame Blavatsky, que a descobriu no Tibete. Esta suástica "do bem" gira para a direita.
Já o símbolo nazista gira para a esquerda. Foi Heinrich Himmler, o supremo comandante do exército e da polícia política nazista, quem idealizou este símbolo invertido. Ao girar para a esquerda, ela sinaliza o mundo das sombras, o trabalho dos "anjos caídos", ou seja, os satânicos. Himmler se alicerçava no misticismo para reafirmar os propósitos de poder sem limites e de supremacia da raça ariana. Esta raça também foi definida por Madame Blavatsky, que a descreveu como os que conseguiram se salvar da destruição de Atlântida, migrando para as partes altas situadas ao pé da cordilheira de Himalaia, onde fundaram o Tibete, antes de se espalharem para a Europa. Este estudo é confundido por muitos defensores da supremacia racial, talvez de propósito. Mas é algo que Blavatsky nunca defendeu.