sábado, 27 de junho de 2015

Filosofia numa hora dessa?



Um dos símbolos da Filosofia. "O Pensador", de Rodin. 

Filosofia NÃO é RELIGIÃO, no sentido de que não está apoiada em crenças místicas ou dogmas de fé. Para ser filósofo ou exercer o estudo sobre a existência, a verdade ou os valores morais, não é necessário ter qualquer laço religioso ou crer em algum deus.  Por outro lado, também  NÃO É CIÊNCIA, por que está acima dela, no sentido de que é mais abrangente, lida com pensamentos e ideias abstratas, que não necessitam provas empíricas ou laboratoriais, ou seja, a matéria filosófica é menos densa e mais artística.  

O termo FILOSOFIA significa "amor pela sabedoria", do grego "philos" (amor) e "sophia" (sabedoria). Em termos gerais, também podemos dizer que significa a busca pela verdade, os estudos das inquietações humanas, dos costumes, da ética e da moral, etc.  Pelo visto, o assunto é tão amplo que seria bobagem tentar enquadrá-lo numa caixa de definições, quanto mais tratá-lo numa simples crônica. Seria coisa de maluco, ou seja, filósofo, rsrsrs. 

A meu ver, o que melhor define a filosofia é seu caráter ATEMPORAL, ou seja, o fato de ser algo permanente, que não veio para ficar no ar uma temporada, como uma moda passageira. Na verdade já dura milhares de anos e esperemos que permaneça conosco até o fim dos tempos, se é que os tempos um dia terão fim (pronto, começamos a filosofar!). 

A filosofia é isso: duvidar sempre! Agregar ao intelecto, ou seja, à mente concreta, o CONHECIMENTO, que é mais do que um caminhão de informações. O Conhecimento é aquilo que separa o papel de ALUNO do papel de DISCÍPULO. 

O aluno se contenta em aprender fórmulas, decorar textos, armazenar informações para serem usadas de uma maneira inteligente, mas, mecânica, automática. O discípulo já tem a missão de pensar e analisar as coisas que estuda, de investigar a essência, de sentir cada disciplina como se fosse uma devoção, como algo que possa servir de suporte pessoal para quando chegar o momento de agir, e a ação, para o discípulo, não significa apenas executar, mas, SERVIR, ou seja: VIR A SER.     É bem diferente, não?

Também não tem nada a ver com a complexidade. O pensamento mais simples, como o caipira, por exemplo, pode ser altamente filosófico. 






É comum associar a filosofia com a civilização grega. Muitos dicionários chegam a localizar o início da filosofia no ano 600 a.c., a partir do qual florescem os grandes pensadores, cujo ápice foi registrado como sendo o quarteto nobre: Pitágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles. Tudo bem, essa é mesma a grande influência presente no mundo cristão e ocidental, que contou com o auxílio luxuoso dos romanos. No entanto, houve outras que influenciaram de modo decisivo a nossa civilização, se assim podemos chamar esse balaio de gatos que é o planeta hoje. Pelo menos tres delas foram essenciais: A Índia, a China e o Egito. 

No próximo capítulo,  vamos nos aproveitar do conhecimento proveniente da Índia, para falarmos sobre um assunto muito importante: o campo de batalha interno do Homem. 

Bagavadguitá, em sânscrito, significa "a canção de deus"

O mundo astral pode ser como o paraíso ou o inferno. A escolha é nossa. 


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Jimmy Webb, o gênio da música, poesia e orquestração

Costeira do Pirajubaé, o McCarthur Park de Floripa


A música norte americana é certamente a mais tocada no ocidente. 

Não estou dizendo que seja a melhor, supondo e já concluindo que quantidade não quer dizer qualidade. Além disso, estou convencido que arte não é comparável ou intercambiável entre si, tal como um pote de margarina ou pacote de sabão. No caso da música, menos ainda, por que se trata de algo completamente subjetivo, um produto que não pode ser julgado pelo público consumidor, pelo simples motivo de que o gosto musical é algo absolutamente pessoal. Eu posso achar o máximo uma sonata de Bethoveen, enquanto meu vizinho é capaz de dormir de tédio. O contrário pode acontecer, dele se entusiasmar com um xaxado do Luan Santana e eu tapar os buracos da fechadura do meu apartamento, para não deixar entrar o irritante som.  

Então, cada um compra e consome aquilo que gosta. Neste caso, sendo a música norte americana a mais tocada, e considerando que cada um compra o que gosta, concluímos que a maioria de nós ocidentais gostamos mais de música norte americana, e, portanto, ela seria melhor, pois não? 

Não! Mesmo que a maioria das canções norte americanas sejam as mais consumidas, isso não significa que são as melhores, senão que são as mais bem vendidas, do ponto de vista do marketing. Se eu coloco uma música como tema de um filme famoso, se a programo como trilha sonora importante da novela das nove horas, se encho as lojas de discos com este produto ou artista, parece certo que esse produto vai vender mais. Não por que seja melhor, mas, por que foi melhor trabalhado em termos mercadológicos. Em se tratando da força do mercado norte americano, qualquer margem extra conseguida nos demais países já passa a ser apenas um agregado, um lucro a mais, enquanto uma canção brasileira, por exemplo, vai encontrar muito mais dificuldades de competir dentro do nosso próprio país, imaginemos então a dificuldade de acessar mercados externos.  Além da barreira comercial, outros fatores culturais vão dificultar o acesso a esses mercados, a começar pela língua. Mas, ainda assim, não são poucos os produtos que ultrapassam as barreiras e chegam ao mercado externo, como aconteceu com o movimento da bossa nova, um estilo brasileiro que continua a fazer sucesso no mundo inteiro e particularmente nos Estados Unidos, o país do Jazz, ritmo no qual se inspirou a bossa nova. 

Ainda assim, é possível avaliar-se o produto musical com critérios bastante técnicos, o suficiente para distinguir o bom do ruim. Dou um exemplo: no ano de 1968 houve um festival internacional da canção, promovido pela Rede Globo. Na fase nacional, duas canções chegaram à grande final. Uma, altamente sofisticada, escrita por dois mestres, um da música propriamente dita, Tom Jobim, outro o seu parceiro Chico Buarque, um notório escritor de letras primorosas. A canção dos dois, chamada Sabiá, ganhou o prêmio do juri. Tratava-se de um poema sobre o exílio, musicalizado e arranjado de forma brilhante. Ao ser apresentada como vencedora, esta canção foi vaiada no ginásio Maracanazinho durante todo o tempo de sua apresentação, por uma orquestra sinfônica, e cantada pelas irmãs Cinara e Cibele, numa apresentação de nível excelente.  A outra canção que com ela foi à final era uma guarânia no melhor estilo chorão paraguaio, puxada por um violãozinho muito sem vergonha, tocado pelo seu compositor e cantor. O público a amou e ela foi o maior sucesso comercial do ano de 1968. Até hoje é aclamada pelo grande público. Seu nome: "Caminhando (pra não dizer que não falei das flores)" e seu cantor-compositor era Geraldo Vandré.  O que quero dizer com isso? Que "quem sabe faz a hora e não espera acontecer?".  Não, rsrsrs.  Na verdade, a questão do sucesso comercial depende de muitas variáveis e tem pouco vínculo com a qualidade. 

No caso da música norte americana, além das facilidades de apoio estrutural providas pela tremenda vantagem comercial do país, eles possuem verdadeira qualidade, derivada de sua vasta diversidade cultural, pois o país, tal qual o Brasil, é um dos mais miscigenados do mundo, um conclave de todas as raças e das principais tendências culturas do planeta. Já é meio caminho andado, né?  

Neste artigo, vamos apresentar tres canções de um verdadeiro ícone do século passado, o único artista a ganhar tres prêmios Grammy's em tres áreas diferentes, orquestração, poesia e música. Trata-se de um rapaz simples, nascido no centro geográfico do interior do país, Oklahoma, aclamado como um dos mais brilhantes artistas da música popular norte americana.


A primeira canção é "Up, Up and Away", um poema sobre o sonho fantasia de voar num balão, de onde o mundo parece ser um lugar melhor e mais bonito para se viver.




Você gostaria de voar no meu balão? 
Nós poderíamos flutuar juntos entre as estrelas, você e eu
Nós podemos voar.  
Fugir cada vez mais para cima e para mais distante.


O mundo é um lugar melhor no meu balão 
Ele tem um jeito mais agradável visto do meu bonito balão
Nós podemos cantar e navegar ao longo do céu cor de prata
Podemos voar. Fugir para longe. Meu lindo balão.

Suspenso sobre um suave crepúsculo
Vamos descobrir o caminho das nuvens, uma estrela poderá nos guiar
Se por acaso você quiser me amar
Nós encontraremos uma nuvem para nos esconder. 

Vamos manter a lua ao nosso lado 
O amor está esperando lá no meu balão 
Nosso amor está no ar 
Se você segurar minha mão, vamos perseguir o sonho através do céu.

Pois podemos voar. Podemos voar
Fugir para longe e cada vez mais alto
Meu lindo, meu bonito balão ...
Fugir para longe. Fugir para cima. 


A segunda canção, "By the Time I get to Phoenix", é uma crônica sobre a tragédia que representa uma simples separação entre dois amantes, algo que pode ser disparado com um simples bilhete, mas que marcará profundamente a vida por muito e muito tempo, talvez irreversivelmente, como uma viagem sem volta. 





Quando eu chegar em Phoenix
Ela estará acordando
E irá encontrar um bilhete
Que eu deixei pendurado na sua porta. 

Ela sorrirá e debochará do bilhete
Naquela parte quando eu digo
Que a estou deixando
Por que eu tantas vezes já a havia deixado antes.


Quando eu chegar em Albuquerque
Ela estará trabalhando e
Provavelmente dará um tempo para o almoço
E me telefonará.

Mas ela apenas irá escutar
O barulho surdo do 
Telefone tocando até desligar
E isso é tudo que haverá para ser ouvido !



Quando eu chegar em Oklahoma
Ela estará dormindo
Então, vai se virar lentamente para o lado
E chamar pelo meu nome.
Então ela irá chorar
Ao pensar que eu realmente me fui.

De tempos em tempos
Eu tentei dizer isso para ela. 





Mas ela nunca acreditou 
Ela simplesmente não sabia acreditar. 


A terceira canção, "McCarthur Park", é uma verdadeira obra prima composta em 1967 para o grupo The Association, que se assustou com o tamanho da canção e abandonou o projeto, originalmente pensado como uma opereta de 20 minutos de duração, completamente inviável do ponto de vista comercial. Foi a oportunidade de ouro que o ator Richard Harris aproveitou para se eternizar, assumindo a tarefa de enquadrá-la nos dez minutos atuais, amparados pela majestade da Orquestra Sinfônica de Londres. 



A primavera nunca esperou por nós, garota
Ela corria sempre um passo à frente
Enquanto seguíamos na dança
Entre as páginas que dividimos prensados
No quente ferro febril do amor
Como um par de calças listradas

O Parque MacArthur está derretendo no escuro
Todo o seu doce glacê verde escorrendo
Alguém deixou o bolo na chuva
Eu acho que não posso aguentar
Porque demorou tanto para assar
E eu jamais terei essa receita novamente
Oh, não!

Lembro-me do seu vestido de algodão amarelo
Espumando como uma onda
No chão, ao redor de seus joelhos
As aves, como meigos bebês em suas mãos
E os velhos jogando damas perto das árvores

O Parque MacArthur está derretendo no escuro
Todo o seu doce glacê verde escorrendo
Alguém deixou o bolo na chuva
Eu acho que não posso aguentar
Porque demorou tanto para assar
E eu jamais terei essa receita novamente
Oh, não!

Haverá uma outra canção para mim
Para que eu a cante?
Haverá um outro sonho para mim?
Alguém o trará?
Devo beber o vinho enquanto ele está quente
E nunca deixarei você me pegar olhando para o sol
Depois de todos os amores da minha vida
Depois de todos os sonhos da minha vida
Você ainda será o único

Eu tomarei a minha vida em minhas próprias mãos 
Provocarei a adoração nos olhos das pessoas comuns
Eu terei as coisas que desejar, mas te perderei
E minha paixão fluirá como rios pelo céu encantado do sucesso
E depois de todos os amores da minha vida
Depois de todos os sonhos da minha vida
Eu continuarei pensando em você
E me perguntando "por que?"

O Parque MacArthur está derretendo no escuro
Todo o seu doce glacê verde escorrendo
Alguém deixou o bolo na chuva
Eu acho que não posso aguentar
Porque demorou tanto para assar
E eu jamais terei essa receita novamente
Oh, não!
Oh, não!
Não, não
Oh, não!

terça-feira, 12 de maio de 2015

CRÔNICAS DE UM NOVO CAMPECHE






Caminhava pela praia do Campeche e passei por uma garota linda fazendo exercícios de Tai Chi. Pensei com meus botões: "Deve ser namorada de algum desses surfistas" e passei praticamente sem olhar para suas formas perfeitas.
Quando eu ia saindo da praia, vejo a mesma garota entrando na estreita trilha que atravessa as dunas, em direção ao Loteamento Novo Campeche, conduzindo em duas minúsculas cordinhas dois cachorrões da raça Pit Bull. Dei convenientemente um tempo bem grande para que ela se afastasse com os "bichinhos", antes de eu próprio entrar na trilha; e fiquei pensando se as nossas musas precisam assim de tanta proteção por estes lados pacíficos do Atlântico Sul.
Alguns meses atrás, enquanto caminhava na mesma praia, cruzei com um senhor de meia idade, acompanhado de uma bela cachorra preta de grande porte. Cachorra da raça canina, bem entendido! Quando iam se cruzar por mim, a cadela rosnou e se mostrou agressiva, o que fez com que ele a agarrasse e lhe colocasse a cordinha protetora. Uma vez seguro, tive coragem de abordar a questão diretamente:
--- O senhor não sabe que é proibido trazer cachorros à praia?
O homem respondeu-me com um sotaque tipicamente paulistano:
--- "E posso saber por que?".
--- Por que eles trazem doenças para a areia e ameaçam os demais banhistas.
--- Minha catchorra trazeenmdo doemzças para a praia? Você ficou louco, meuuuu? 





AGORA EU PERGUNTO: Todo o mundo ficou louco ou só eu?



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Contos da Carochinha do Tio Pepe (Editados pela OAB)




Um dos gerentes, atenção!, eu disse "gerente" e não "diretor" da Petrobrás, indicou as contas bancárias no exterior onde ele depositou uma parte da corrupção que recebeu. Sendo um dos investigados que aceitaram fazer "delação premiada", também autorizou que a grana fosse repatriada de imediato, sem necessidade de um longo processo internacional. Valor declarado: acima de 150 milhões de reais. 

O Japão não é um país de "esquerda", muito pelo contrário, mas, por lá,  muito menos que isso faria um dirigente público cometer harakiri.  Por que num governo supostamente de "esquerda", como o brasileiro, casos como a corrupção no âmago do governo é possível? 

Recentemente o ex presidente do Uruguai, Pepe Mujica declarou que o ex presidente Lula lhe confessou que sabia do Mensalão, mas que essa era a única forma de administrar o Brasil e que ele, Lula, não tinha levado grana na jogada, embora metade dos seus deputados comprovadamente o tenha feito, conforme se apurou nos processos. Será que Lula é tão idiota para achar que nós somos débeis mentais? Evidentemente que não é uma coisa nem outra. Trata-se de mais uma operação de marketing perfeitamente orquestrada, com a cumplicidade do ex-guerrilheiro Tupamaro, convertido em doce e pacato presidente e senador que anda de fusquinha, hummmm... Nesse angu tem caroço!

De fato, Lula já tinha vendido a alma antes de ser eleito. Aceitou assumir todos os desastres e comprometimentos dos governos anteriores, todos os contratos viciados, e desistiu da sua história pessoal. Daí para desistir da promessa de fazer uma auditoria internacional nas contas públicas brasileiras, foi só um passo. Ou apenas mais um acordo secreto.  FHC,  Collor e  Sarney, nessa ordem, e todos os asseclas do trio, logo abriram várias garrafas de Moet-Chandon para comemorar o fantástico acordo. 

Portanto, fica claro que do seu programa básico Lula já tinha desistido. Teria sido tão covarde a ponto de não ousar enfrentar um congresso sem nenhuma credibilidade, e impor o respeito que um presidente eleito pelo povo tem naturalmente, com a força da caneta na mão?  Collor, com apenas 18% de apoio parlamentar, enfiou goela abaixo de todos o sequestro da poupança depositada nos bancos.  Não, Lula não é esse covarde, senão não teria chegado onde chegou, senão não teria enfrentado a ditadura,  senão não teria derrotado os pelegos que enfrentou à seu tempo de sindicalista.  Lula agiu de forma premeditada, ao admitir (ou até ordenar, quem sabe?) que seu arqui-general José Dirceu comandasse um esquema fraudulento para desviar dinheiro de contratos super faturados, afim de comprar parlamentares e os fazerem votar de acordo com a vontade do governo. Inclusive e principalmente parlamentares de sua base aliada.  Isso é incrível !  Pela primeira vez na história um governo tem que comprar seu próprio partido, para poder administrar o próprio governo, kkk.

A mesma lógica se deu em outros casos, como esse escândalo extraordinário do Petrolão. Não se sabe exatamente quanto foi desviado dos contratos superfaturados, e talvez nunca venhamos a saber. O que se sabe de certeza é que o orçamento de refinarias como a de Pernambuco, tiveram suas previsões originais de investimentos acrescidas em 300%, 400%. Outras, em cujos projetos e serviços iniciais chegaram a ser investidos dois ou tres bilhões de DÓLARES, sequer serão iniciadas e já foram descartadas, como se a gestão de empreendimentos de alta complexidade já não fosse algo completamente trivial no mundo inteiro, inclusive no Brasil, quando fora da esfera podre do governo.  

Quando uma ala da justiça ou do ministério público se enche de coragem e começa a investigar por conta própria, os militantes, agentes e aliados governistas lhes movem intensa campanha de difamação, acabando com suas carreiras, como no caso do Juiz Joaquim Barbosa do STF, ou promovendo cercos inaceitáveis, morais e políticos, contra um juiz federal como Sérgio Moro. 




sábado, 2 de maio de 2015

Biografia Musical



Considero a vida uma grande viagem. E, dentro dessa viagem, a música sempre embalou as aventuras às vezes desmioladas que empreendi. Nunca dei atenção aos projetos de riqueza, de estabilidade, de conquistas políticas, sociais ou econômicas. Sempre levei a vida como apenas uma aventura, focado no aqui-agora. Isso me trouxe muita decepção, mas, também muita consolação em saber que o que tinha que ser aconteceu a ainda vai acontecer. Tenho uma religiosidade própria, que está longe das orientações igrejeiras. 

Saí de casa com 17 anos de idade, mandei-me para Curitiba, onde vendi panelas nas ruas dos bairros mais pobres, pois tinha pavor de procurar emprego formal por que me achava incompetente na grande capital. Afinal, passei num concurso para ser auxiliar administrativo na empresa de energia e, logo em seguida, para ser programador de computador, com formação na IBM, curso pago pela própria Copel, além de ter meu salário multiplicado por 10. Rebelde e insano, como sempre, larguei esse emprego maravilhoso, onde teria um futuro garantido, e fui trabalhar na Celepar, empresa de informática do governo do Paraná, de onde fui demitido cinco anos depois, a meu ver por atividades políticas que exercia contra a então ARENA, partido político da ditadura. No ato de demissão, o chefe dos "recursos humanos" tentou me aconselhar: "veja que essa sua atividade política só lhe prejudica". Mal ele sabia que um mes depois eu estaria trabalhando na ELETROSUL de Florianópolis pelo quase dobro do salário. Claro que, por uns quinze dias, estive desesperado à procura de emprego, com duas bocas para alimentar em casa. Na empresa catarinense federal, tive várias oportunidades de evoluir na carreira, mas sempre fui boicotado por mim mesmo, através da rebeldia de sempre. Até um amigo que foi gerente da minha área, quando perdeu o cargo por razões políticas, chegou-se para mim e disse: "Que bom, Lalá, agora não és mais meu subordinado" kkk.

Somando, diminuindo e multiplicando, a divisão da minha vida resulta num ser mais ou menos desequilibrado, às vezes arrogante, atrevido e muito pouco humilde. Tenho três mantras na vida, que não consigo alcançar mas persisto em pedir ao Criador: paz, saúde e harmonia; amor, prazer e alegria; humildade, sabedoria e misericórdia, comigo mesmo e com meus irmãos humanos. 

Agora, neste exato momento, o canal de música está tocando uma canção que explica minha vida. 

  "Mister Tambourine Man" foi um enorme sucesso em 1964, quando o mundo inteiro vivia seu esplendor do movimento hippie e o Brasil se confrontava com o terror da ditadura militar. 



Outra minha preferência é a canção tradicional norte americana. Poderia citar centenas, mas, prefiro escolher um cantor do qual procuro inspiração para minha própria carreira. 


Finalmente, não poderia encerrar este artigo sem mencionar um latino americano. No caso, fico em dúvida entre citar Astor Piazzola ou a rainha de todos nós, cuja cidade fiz questão de visitar lá nos confins da Argentina. Então, opto por Mercedes Soza e assim homenageio a outra mulher fantástica que foi a chilena Violeta Parra. 






quinta-feira, 30 de abril de 2015

Festival Internacional de Corais Tres Fronteiras



Jardel e Rosângela frente ao imponderável e místico fenômeno da natureza


Conheci as Tres Fronteiras quando eu e as cidades fronteiriças ainda éramos jovens, eu com 24 anos de idade, as cidades variando de acordo com as respectivas histórias regionais. Foz era a mais antiga, certamente, tendo servido como ponto de parada à Coluna Prestes, lá por 1925. Era então apenas um amontoado de casas rurais, onde, segundo depoimento do próprio Luis Carlos Prestes, os homens cultivavam a terra fértil com suas próprias mãos, pois sequer enxadas tinham como ferramental agrícola. Estas cidades eram frentes avançadas de um mundo em formação!  Das tres, Puerto Iguaçu, Presidente Stroessner e Foz do Iguaçu, esta última era a mais organizada, digamos assim, com suas ruas empoeiradas de barro vermelho. 

O lado paraguaio era uma desolação completa, a começar pelo nome, depois oportunamente substituído para Ciudad del Este, uma forma de esquecer definitivamente o nome do ditador que tanto terror causou aos paraguaios.  Por falar nisso, a família dele vive confortavelmente em Brasília, usufruindo do dinheiro que roubou ao longo de quarenta anos de ditadura militar no seu país original.  No lado sul da Ponte da Amizade, ficava uma vila de moradores locais, cujos filhos foram sendo convocados a trabalhar nas lojas de mercadorias importadas que abasteciam principalmente brasileiros na vila vizinha, fronteiriça à própria ponte, onde aprendiam a falar português e inglês, e apesar disso,  nunca perderam a identidade com a língua guarani de seus ancestrais, para vermos como isso era e ainda é forte na formação cultural do Paraguai. Os velhos pais e tios eram gente simples, muitos dos quais sequer falavam o idioma espanhol. Viviam basicamente da agricultura e pesca nos imensos rios Paraná e Iguaçu, assim como nos seus "pequenos" afluentes, como o belo Monday paraguaio, que deságua ao lado norte da imensa ponte.

Do lado argentino, Puerto Iguazu era um aglomerado comercial no meio da exuberante mata, separada do Brasil por um serviço de pequenos barcos para transportar as pessoas,  e barcaças para transportar os poucos automóveis e caminhões que se aventuravam por aqueles caminhos, uma vez que depois da fronteira, em direção à Posadas, capital da província de Misiones, as estradas de barro paralisavam o transporte de mercadorias nas temporadas chuvosas, que duravam até 15 ou 20 dias sem parar.  

Em termos de música regional, certamente a paraguaia é fundamental. A Polca foi trazia ao país pela esposa francesa do ditador Solano Lopes, uma mulher culta que se encantou com o povo paraguaio. 

Hoje as cidades estão muito diferentes. No lado argentino percebe-se que foi o mais bem conservado, com as matas maravilhosas enfeitando a cidade e o parque das cataratas. Em compensação, para se ter a visão privilegiada paga-se sete vezes mais que do lado brasileiro. Além disso, eu sinto uma certa raiva e despeito dos argentinos pelos brasileiros, cujas razões não sei explicitar. No lado paraguaio, vi um mutirão de obras impressionante, embelezando a cidade que outrora era a mais tacanha e mal servida da fronteira. Apesar da decadência comercial, percebida pela queda nas vendas de produtos importados, principalmente eletrônicos, creio que Ciudad del Este está se tornando uma bela experiência de urbanização. 


Porém, Foz do Iguassu, do lado brasileiro, é um esplendor ! 

Que cidade especialíssima, dotada de belas e largas avenidas, parques majestosos, templos religiosos grandiosos e bem pouco comuns nas cidades brasileiras, como o Budista e o Islâmico, produto certamente dos asiáticos e árabes que vieram para cá ganhar dinheiro, mas, não esqueceram de suas fés religiosas. Nada se parece com aquela pequena tragédia de 1975!  Uma boa explicação para o desenvolvimento de Foz e Ciudad del Este são os royalties pagos pela usina de Itaipú, a maior produtora de energia elétrica do mundo, fora a China. 


Pois foi neste cenário que nós, manèzinhos da Ilha de Santa Catarina viemos nos apresentar no   Festival de Corais, com o abusado nome "Vozes de Santa Catarina". Havia outras vozes de Santa Catarina, onde se destacou o coral da Unisul, de Tubarão. Também se destacaram os corais universitários de Asunsión, Paraguay, além de outros brasileiros muito bem alinhavados com as melhores técnicas cênicas e musicais. 

Nossa performance também não foi de se jogar fora e a modéstia me impede de dizer que fomos um sucesso absoluto.




  

Quando o espanhol Cabeça de Vaca chegou aqui lá por 1540, depois de naufragar sua caravela entre o sul da Ilha de Santa Catarina e Garopaba, tendo decidido com a tropa trocar o destino da viagem, mudando o objetivo para encontrar o Eldorado, jamais poderia imaginar que quase 500 anos depois nós estaríamos cantando "Eres Tu" num auditório brasileiro dentro da Argentina.


terça-feira, 28 de abril de 2015

Um certo (capitão de longo curso e aniversariante) Rodrigo


Rua São Pedro, Alto Cabral, Curitiba-PR

Por aquele tempo andávamos lendo a obra literária de Érico Veríssimo. Dentro da série "O Tempo e o Vento" existia um romance de aventuras gauchescas chamado "Um certo capitão Rodrigo", contando a história de um gaudério galanteador e valente. Sua saudação pessoal quando adentrava as bodegas e canchas de tropeadas era sui gêneris: "Buenas e m'espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!"   Eu pensei lá com os meus botões de vinte e poucos anos de idade: "Que belo nome para se colocar num piá". E o piá nasceu logo em seguida, no ano de 1977, mes de abril, iniciando os trabalhos pela madrugada e terminando às tres horas da tarde do dia 29. Já começava fazendo justiça ao lendário nome. 


Igreja do Alto Cabral, à duas quadras da Rua São Pedro, em Curitiba-PR 


Veio ao mundo conforme a tradição indígena guarani de sua mãe. O médico doutor Moisés Paciornick e sua clínica faziam pesquisas sobre o modo das mulheres guaranis terem os filhos no meio da mata, nos tempos de antigamente, antes da medicina tornar o parto um fenômeno hospitalar. Sem abrir mão dos confortos e segurança da medicina moderna, começou a praticar a tradição milenar indígena, adaptadas a uma sala com teto azul de estrelas pintadas à meia luz, som de música barroca, tapetes e almofadas macias. Não sei como foi a experiência do ponto de vista feminino, mas, para mim foi uma meditação transcedental, não tivesse que ficar acordado e atento por 12 horas seguidas. Quando se permitiu ser recebido pelas mãos do doutor Cláudio Paciornick, verificou-se que estava em perfeito estado físico. Ainda não sabíamos que seria este gênio divulgador da alimentação natural sem qualquer indício de matéria animal, professor de línguas e costumes éticos, aventureiro motociclista e filósofo existencialista dos mais aproveitáveis para o bem da humanidade.    

Dia seguinte voltamos para nossa casa no Alto Cabral, que, afinal, nem era tão alto assim. Mais estranho ainda é que nunca existiu um "baixo cabral", uma vez que entre aquele nosso bairro e o Passeio Público de Curitiba só existia o chique bairro de Juvevê, com suas mansões e jardins da burguesia ostensiva. Nossa rua tinha nome de santo e apóstolo,  São Pedro,  e nosso muro dos fundos dava para o centro de ensino de veterinária e agricultura da UFPR. Era um imenso campo habitado por pinheiros centenários, entre os quais circulavam cavalos de raça árabe. As noites eram tão escuras que eu tinha medo de olhar para o lado do fundo, pois corriam boatos de fantasmas dos antigos camponeses, expulsos para instalação do centro de ensino.  Em compensação, a lua quando cheia iluminava os pinheiros e fazia produção de sonhos guaranis, enquanto eu sonolento balançava o berço da criança nas noites iniciais, mesmo sabendo que no outro dia o batente seria pesado. Fazer o quê?  Éramos tres pés vermeios perdidos na capital coxa branca, sem dinheiro para extravagâncias como babás. 





   

terça-feira, 21 de abril de 2015

9ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven, o alemão romântico.



Beethoven aos 50 anos, já completamente surdo. 

Para muitos especialistas, Beethoven foi o maior gênio da música de todos os tempos. Escreveu nove sinfonias completas, além de milhares de canções, sonatas e hinos religiosos. O mais interessante é que a maior parte de suas obras foram feitas quando já apresentava graves defeitos de audição, que começaram aos 31 anos de idade. Viveu mais 26 anos com essa dificuldade. Sua última obra, a Ode à Alegria, foi feita quando ele já estava completamente surdo, então, se deduz que as harmonias e movimentos perfeitos são resultados de sua memória auditiva, aguçadas pela criatividade de inventar novos sons que ainda não haviam sido propostos. De fato, os últimos anos da vida de Bethoveen foram os mais profícuos em termos de criatividade e inovação no campo da música, coincidindo justamente com a fase mais aguda de sua surdez. Nesses últimos anos, sua criação musical esteve focada nos pequenos concertos de quartetos de cordas, muitos deles carregados de uma espécie de abstração musical que chegava a escandalizar os clássicos. Ele estava só começando a ensaiar vôos mais altos, sons que enalteciam a natureza e a aliança entre deus e os homens, de uma forma como nunca havia sido descrita antes e que conduziria ao estilo Romântico, que sucedeu o Classicismo, assim como este havia sucedido o Barroco. 

Em 1824 o sonho visionário de Beethoven veio ao mundo real, a partir da união entre poesia e música, indo buscar sua motivação num poema épico escrito quarenta anos antes. Pela primeira vez uma sinfonia continha um movimento executado pela voz humana cantando um poema. A Nona Sinfonia levou dois anos para ser composta. A letra foi escrita pelo poeta alemão Friedrich Schiller, sobre o qual o Paradigma Cine Arte de Floripa passou recentemente um belo filme, "Duas irmãs, uma paixão", contando a vida pouco religiosa do alemão, tão problemático na vida pessoal quanto o próprio Beethoven. Interessante enfatizar que o poema foi escrito por Schiller quarenta anos antes da música de Beethoven. Impressionou de tal forma o compositor que ele o guardou todo esse tempo, esperando uma oportunidade para usá-lo, o que só veio acontecer no final de sua vida, na última sinfonia. 

Trecho traduzido do poema que tanto encantou Beethoven.

Em 1972 a Nona Sinfonia se tornou o hino oficial da União Européia. Hoje é tão conhecida,  que o solo de coral entra em espetáculos populares, como esse realizado perlo Coro Lírico Catarinense no Teatro Adolpho Konder, em Florianópolis.


Beethoven tentou forçar para que a sua nona sinfonia estreasse em Berlin, mas não teve jeito. Já naquela época a industria do entretenimento tinha suas preferências e mitos, de modo que a peça estreou mesmo em 1824 na cidade de Viena, o centro cultural europeu por excelência naquela época. Diz a lenda que Beethoven, impedido de reger por causa da surdez, sentou-se de costas para o público ao lado do maestro. Estava em concentração tão profunda, tentando acompanhar a execução olhando para as cifras da pauta musical, que não percebeu o fim da apresentação e o público o aplaudindo em delírio. Teve que ser trazido de volta à realidade através da ação de uma contralto do coral, que o virou para ver o público. 







terça-feira, 14 de abril de 2015

Pat Metheny, o gênio da guitarra


As gerações de guitarristas do passado sabiam que seus papéis nos concertos de jazz seriam sempre o de coadjuvantes. Nunca se supunha que um guitarrista pudesse ser o centro do espetáculo, a menos que o tema estivesse relacionado com o Blues ou Rock and Roll (no caso, seria mais adequada a palavra 'row'), onde brilhavam principalmente os guitarristas negros norte americanos. Na década de 1940, surgiu um sujeito branco, cujo nome artístico batizou um dos principais estilos do instrumento, Les Paul, famoso modelo de guitarra elétrica lançado pela marca Gibson, as preferidas dos astros do rock que viriam depois. Este Les Paul brilhou intensamente nos anos 40 e 50, vindo a falecer aos 94 anos, já no final do século XX. No entanto, seus principais sucessos estavam sempre associados a grandes nomes em outros instrumentos, como o trompetista Louis Armstrong ou cantores como Frank Sinatra. Deste modo, até Les Paul continuava sendo coadjuvante. Embora ele fosse efetivamente um gênio. 

Les Paul tocando num espetáculo solo, perto dos noventa anos de idade

A história dos guitarristas de jazz começou a mudar com um rapaz nascido em Kansas, 1954, chamado Pat Metheny. Quando ele completou quinze anos de idade era 1969 e rolava o Festival de Woodstock. Ninguém poderia permanecer impune diante do som que faziam Jimmy Hendrix e Janis Joplin. Um negão de Seatle e uma branca do interior do Texas davam a nota do que seria o novo som da juventude transviada, seguidores do deus chamado Blues. Neste ano Pat Metheny deu adeus à inocência e começou a conviver com os grandes músicos nas bandas de jazz-blues norte americanas, onde aprendeu tudo que um garoto que (NÃO) amava os Beatles e Rolling Stones poderia aprender. Segundo a crítica especializada, ele passou os dez primeiros anos de sua carreira reinventando o som do jazz para guitarristas de sua geração, até que em 1979 lança sua primeira obra prima, aquela que sem dúvida o deixará inscrito no mural da história do jazz.


Nova Chautauqua

A palavra de origem indígena "chautauqua" vem sendo utilizada há mais de quatro mil anos pelas tribos desse grupo linguístico, os Cherokees. Significa literalmente "peregrinação". Mas, não qualquer aventura em torno de uma viagem mística ou estudiosa. Trata-se de ir ao fundo de todas as coisas, com a coragem para ver o que se apresentar, sem pré conceitos, concepções ou visões de mundo já conhecidas. Seria a capacidade de admitir que “o verdadeiro veículo que podemos conduzir é  ‘nós mesmos’.”  Trata-se, portanto, de uma aventura filosófica. Há uma cidade e um lago com esse nome no oeste do estado de Nova Yorque, perto da fronteira com o Canadá, onde floresceu um movimento religioso há 150 anos. Era conhecido no meio do povo comum como "novos batistas", por que, embora baseados no cristianismo, mesclavam crenças e comportamentos inspirados em outras fontes, desde a tradição religiosa indígena até mitos pagãos. Não por acaso, um de seus principais líderes era um imigrante português criado na Inglaterra, origens de onde ele agregou à sua religiosidade muita influência celta. Esse sujeito organizava acampamentos de verão, destinados a educar a juventude e propiciar momentos de intensa reflexão para os participantes, entre encenações teatrais e musicais. Veja uma das frases desse sacerdote: “É perfeitamente natural considerar ignorantes os europeus ou índios que acreditam em fantasmas. O ponto de vista científico norte americano eliminou qualquer outro ponto de vista, de maneira que todos parecem primitivos. Portanto, se hoje alguém falar em fantasmas ou espíritos é tachado de ignorante ou até de maluco.", Imagine uma figura assim influenciando diretamente a formação filosófica de nosso artista, e já se tem uma ideia do tipo de gente sui generis que é Pat Metheny, rsrsrs. 




Pat Metheny tem uma longa relação com o Brasil, desde sua juventude mais precoce, quando já era fan da música popular brasileira, especialmente dos astros da bossa-nova, como Tom Jobin, e do movimento Clube da Esquina, onde chegou a fazer parcerias em shows com Milton Nascimento, Toninho Horta e Naná Vasconcelos. No final dos anos 80, chegou a morar no Brasil, onde aprendeu percussão com o mestre Marçal, um dos mais conceituados no gênero. Fixou-se basicamente no Rio de Janeiro, mas, empreendia aventuras musicais pela Bahia, Minas Gerais e nordeste. Chegou a visitar Maringá (PR), em visita à terra natal na então namorada, Sonia Braga. 

Agora sessentão, Pat continua no circuito mundial de jazz e, pelo jeito, não vai parar tão cedo. Uma hora está no Canadá, na outra semana já está na África, depois Japão ou Suécia, não para nunca. Mesmo tocando um gênero instrumental muito difícil para o grande público, que têm ouvidos acostumados ao som de fácil apreensão, bem comportado e popular. 

Seu público são aqueles que viajam mais longe ... e esses são imortais... 




Qualquer um que tenha passado a infância junto a uma 
estação de trens "maria fumaça", se emociona com este clip.