quinta-feira, 18 de outubro de 2012

CANTANDO POR CONTA PRÓPRIA

Igreja de São Benedito, da Arquidiocese de Floripa, apóia o Coro Lírico Catarinense, 
cedendo o espaço para os ensaios, 
que antes se realizavam em espaço público, o Centro Integrado de Cultura.  

O Brasil já foi um país bem mais musical.  Não que tenha deixado de sê-lo, afinal, agora nós temos um verdadeiro mercado interno, a tal classe "C", consumidora voraz que tudo compra e a tudo quer ter acesso. Nada mais natural que tenhamos uma categoria artística muito mais rica que as anteriores, tanto financeira quanto qualitativamente, graças ao capital investidor e às novas tecnologias de gravação e distribuição. Até mesmo a música caipira, antes tão discriminada, hoje vende milhões de discos, excursionando de avião próprio, com suas bandas próprias, dezenas de técnicos e músicos. Em seu tempo, os "Tonicos e Tinocos" de antigamente viajavam de ônibus e tocavam em auditórios de rádios. 

No campo da música artística de alto nível, temos gênios como Arrigo Barnabé, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e tantos outros desconhecidos do grande público, que vivem de sua própria música. E não consta que estejam passando dificuldades, ao contrário de seus pares do passado, que morriam de fome e das doenças da miséria. Músicos eruditos também estão em boa fase, como o demonstra nosso querido Arthur Moreira Lima, pianista que mora em pleno Costão do Santinho e frequenta os melhores points de Floripa e do Brasil, como bem merece este grande personagem de nossa música, que alguns dizem maldosamente também representar a linha etilizada, além do elitizado, papéis que, aliás, ele desempenha muito bem.

Quanto a essa questão mercadológica, o Brasil vai muito bem. Quando digo que o país já foi bem mais musical, lembro-me de Villa-Lobos e seu livro didático "Canto Orfeônico", que orientava a disciplina musical ensinada nas escolas primárias e secundárias do país. Lembro-me de nosso compatriota maestro Edino Krueger, de Brusque,  como então secretário do MEC, espalhando corais e partituras pelo país afora. Eu mesmo tive maravilhosos professores de música, matéria obrigatória nos  primeiros anos escolares. Enfim, dos anos sessenta para trás a música era realmente popular, e não apenas um fenômeno de marqueting. Toda escola, sindicato, clube, empresa, até famílias, tinham seu coral. 

Então, veio a “redentora” com seus militares, que só gostavam de marchas. Não as de carnaval, maravilhosas, mas aquelas tocadas nos quartéis. Daí que resolveram trocar o Canto Orfeônico por outra disciplina, mais de acordo com os novos tempos: “Educação Moral e Cívica”. Três falácias numa só, pois aquilo nunca foi "educação", de "civismo" não tinha nada e nossa governamental ética "moral" ficou cada dia mais na lama, digo, no chumbo. Foi uma péssima troca.

Depois dos militares, Fernando Collor se encarregou de jogar a pá de cal no caixão da cultura popular musical do país. 

Hoje, governos de todos os naipes adoram reformar e construir teatros. Minha ingenuidade não me permite perscrutar as razões por que o fazem, uma vez que tais palcos vivem fechados.  Vendo que era necessário ocupá-los minimamente, inventaram complicadas leis de incentivo à cultura, que são espertamente apropriadas por políticos e grupos de empresários, especializados não em música, mas, em negócios. Ao invés de incentivarem grupos artísticos locais, trazem artistas prontos da televisão nacional e faturam duplamente: o dinheiro do governo e dos bolsos das plateias imbecilizadas pela telinha na novela das nove.  Os grupos locais que se julguem com algum talento, e queiram se expressar ao público apreciador de arte, que tirem a grana dos próprios bolsos, ora bolas!


Foi o que fizeram o Coro Lírico Catarinense e a Orquestra Piu Mosso. O Brasil já foi um país bem mais musical.  Não que tenha deixado de sê-lo, afinal, agora nós temos um verdadeiro mercado interno, a tal classe "C", consumidora voraz que tudo compra e a tudo quer ter acesso. Nada mais natural que tenhamos uma categoria artística muito mais rica que as anteriores, tanto financeira quanto qualitativamente, graças ao capital investidor e às novas tecnologias de gravação e distribuição. Até mesmo a música caipira, antes tão discriminada, hoje vende milhões de discos, excursionando de avião próprio, com suas bandas próprias, dezenas de técnicos e músicos. Em seu tempo, os "Tonicos e Tinocos" de antigamente viajavam de ônibus e tocavam em auditórios de rádios. 

No campo da música artística de alto nível, temos gênios como Arrigo Barnabé, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e tantos outros desconhecidos do grande público, que vivem de sua própria música. E não consta que estejam passando dificuldades, ao contrário de seus pares do passado, que morriam de fome e das doenças da miséria. Músicos eruditos também estão em boa fase, como o demonstra nosso querido Arthur Moreira Lima, pianista que mora em pleno Costão do Santinho e frequenta os melhores points de Floripa e do Brasil, como bem merece este grande personagem de nossa música, que alguns dizem maldosamente também representar a linha etilizada, além do elitizado, papéis que, aliás, ele desempenha muito bem.

Quanto a essa questão mercadológica, o Brasil vai muito bem. Quando digo que o país já foi bem mais musical, lembro-me de Villa-Lobos e seu livro didático "Canto Orfeônico", que orientava a disciplina musical ensinada nas escolas primárias e secundárias do país. Lembro-me de nosso compatriota maestro Edino Krueger, de Brusque,  como então secretário do MEC, espalhando corais e partituras pelo país afora. Eu mesmo tive maravilhosos professores de música, matéria obrigatória nos  primeiros anos escolares. Enfim, dos anos sessenta para trás a música era realmente popular, e não apenas um fenômeno de marqueting. Toda escola, sindicato, clube, empresa, até famílias, tinham seu coral. 

Então, veio a “redentora” com seus militares, que só gostavam de marchas. Não as de carnaval, maravilhosas, mas aquelas tocadas nos quartéis. Daí que resolveram trocar o Canto Orfeônico por outra disciplina, mais de acordo com os novos tempos: “Educação Moral e Cívica”. Três falácias numa só, pois aquilo nunca foi "educação", de "civismo" não tinha nada e nossa governamental ética "moral" ficou cada dia mais na lama, digo, no chumbo. Foi uma péssima troca.

Depois dos militares, Fernando Collor se encarregou de jogar a pá de cal no caixão da cultura popular musical do país. 

Hoje, governos de todos os naipes adoram reformar e construir teatros. Minha ingenuidade não me permite perscrutar as razões por que o fazem, uma vez que tais palcos vivem fechados.  Vendo que era necessário ocupá-los minimamente, inventaram complicadas leis de incentivo à cultura, que são espertamente apropriadas por políticos e grupos de empresários, especializados não em música, mas, em negócios. Ao invés de incentivarem grupos artísticos locais, trazem artistas prontos da televisão nacional e faturam duplamente: o dinheiro do governo e dos bolsos das plateias imbecilizadas pela telinha na novela das nove.  Os grupos locais que se julguem com algum talento, e queiram se expressar ao público apreciador de arte, que tirem a grana dos próprios bolsos, ora bolas!

Foi o que fizeram o Coro Lírico Catarinense e a Orquestra Piu Mosso.





O Coro Lírico Catarinense e a Orquestra Piu Mosso se apresentaram no Teatro Álvaro de Carvalho. 



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