segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Estrada, sagrada estrada !






Viajar por culturas e paisagens estranhas também pode ser uma forma de contemplação, muito próxima da religiosidade. Gosto muito de viajar assim.   Prefiro o estilo mochileiro, que me deixa livre, leve e solto, além de sair muito mais barato, claro. Nas cidades, prefiro andar de metrô ou ônibus. É impossível andar por Paris, Londres, Madrid, São Paulo, se não for assim. Uma vez fui de trem ao Charles De Gaulle pegar o vôo para Madrid. Encontrei um brasileiro sozinho na fila do checkin. Ele levava quatro malas imensas e pagou 80 euros de taxi. Eu havia gasto 4, imagina a diferença de estilos. Ele só queria saber de como estava indo a Bolsa de Valores em SP, de onde eu tinha saído uma semana antes e ele achava que eu poderia ter informações úteis. Ao final, perguntou-me se eu havia ido ao Crazy Horse. Esse também é o nome da minha banda de rock preferida e, para espanto do meu parceiro de fila, eu perguntei: "Eles estavam aqui? Puxa vida, como fui perder essa?".  Desfeitos os equívocos, ficou claro que o Cavalo Louco em questão é uma casa de dançarinas de can can,  rs rs rs. 

Gosto de associar a viagem a um propósito cultural. Já fiz todo o roteiro de Van Gogh, desde sua vila rural na Holanda até seu túmulo nos arredores de Paris, passando pelas margens do Rhone no sul da França. Desci em Barcelona para "caminar" com Caetano Veloso e sua vaca profana pelas "ramblas", com Miró e Gaudi,  depois fui de trem até a Noruega, ver as loiras mais sensuais e lindas do planeta. Fui  num coro cantar nos grandes templos católicos, Lourdes, Fátima, Saragoza, El Escorial, Santo Antonio em Lisboa, Matosinhos no Porto e Santiago de Compostela na Galícia. Visitei alguns dos mais deliciosos terroirs do planeta (locais especiais de cultivo de uvas para vinhos) provando seus encantos, da Borgonha aos vinhedos das terras altas arriba do Minho, o mais fino branco sequíssimo da Andaluzia ao branco frutado da Pomerânia, caminhadas à pé pelas montanhas alpinas e passeios de carro entre milhares de Chateauxs pela planície sem fim de Bordeaux.

Gosto da simplicidade, da natureza e das tradições populares. Evito o luxo e a luxúria. A elite econômica e intelectual não me interessa.   A Europa é muito boa, mas também é muito cara. Podemos curtir nossos vizinhos sul americanos e a viagem sairá muito  mais em conta, mas, mesmo em Buenos Aires, eu prefiro as casas de tango mais simples, na periferia, sem aquela ostentação para turistas estrangeiros.  Certa vez, hospedei-me na Avenida Corrientes,  num hotelzinho defronte ao mercado público "del Abasto", onde cresceu Gardel. Naquela área estão as casas de tango da juventude e você pode ver num palco iluminado como se fosse rock and roll, bandas com até dez bandoneões eletrificados. É uma loucura... 

Houve um tempo em que todos os países do Cone Sul, nossos vizinhos, estavam submetidos a tenebrosas ditaduras militares. A primeira foi a do Brasil (1964), seguida por Uruguai, Chile e a última, Argentina (1976). Já, Paraguai e Bolívia sempre foram ditaduras. O sufoco era grande, não havia liberdade para nada e o seu próprio vizinho poderia ser seu delator, por que não se necessitava motivo para prender um cidadão, submetê-lo a todo tipo de humilhação e violência, e até tirar-lhe a vida, se o indivíduo que estivesse na posse transitória do seu corpo indefeso assim o desejasse. No caso do sujeito ser acusado de crime mais grave, como pertencer a algum grupo guerrilheiro, por exemplo, ou simplesmente ajudá-los financeiramente ou estruturalmente, as torturas poderiam ser insuportáveis e muita gente morreu sob elas, em todos os países do sub continente, inclusive no Brasil.

Por essa época, uma parte da juventude mais descolada, saia a percorrer as trilhas do interior do continente, onde não havia nada, a não ser memórias de outros tempos. Foi assim que um grupo de hippies argentinos, fugindo da violência em Buenos Aires, fundaram a aldeia de El Bolson, uns cem quilômetros abaixo de Bariloche, incrustada num vale no meio dos Andes, na altura do equivalente chileno de Chiloé, outro refúgio famoso. Ao norte, entre Argentina, Chile e Bolívia, a província de Salta era um dos roteiros preferidos dos brasileiros, por que reunia também vários jovens europeus e norte americanos, todos em busca do deserto de Atacama, cujo acesso pelo oeste se dá cruzando a fronteira em Salta. Ainda hoje, vale a pena uma visita. Não há cantina italiana, francesa, espanhola ou mesmo portuguesa, que se compare ao prazer de tomar um branco seco no deserto de Cafayate.




terça-feira, 8 de agosto de 2017

LIÇÕES PARA UMA ALMA EM CRESCIMENTO 1 - Sobre Reencarnação



A imensa maioria dos seres humanos não tem qualquer memória de uma suposta vida passada. Parece haver um véu do esquecimento instalado como parte do Pacto Reencarnatório, a cada vez que um espírito eterno volta ao plano físico da terceira dimensão, para uma nova aventura vivencial, com todas as suas dores e misérias, assim como para o possível encantamento e felicidade, ainda que temporária e instável.

Na verdade, o termo "memória" não seria suficiente para definir o estado de identificação com uma outra experiência de vida, em outra encarnação. Apesar de ser considerado um sinônimo de "memória", assim como "lembrança" ou "recordação", o termo REMINISCÊNCIA é mais adequado, pois é a "memória da alma" e não tem nada a ver com a memória mental, registrada no plano do cérebro físico. Num processo reencarnatório, todos os aspectos relacionados ao mundo físico recebem novas versões, tal como um corpo físico novo, um cérebro novo e, portanto, uma nova memória. Neste novo ser que supostamente reencarnou, se desenvolverá uma nova personalidade, com um novo Ego a ser montado e desenvolvido pela realidade circunstancial da nova história de vida (e também por algumas características básicas, armazenadas num espaço a que chamamos akáshico, parte da tríade espiritual, ao qual o ser humano comum não tem acesso). ,

No entanto, existe um outro EGO que reencarna, o EU SUPERIOR, ou LOGOS, como o chamavam os filósofos antigos gregos. E este ego individual é indissolúvel, eterno, pessoal e intransferível.  Este ego eterno é o veículo da Mônada Primordial, a centelha divina que habita cada ser vivo. 

Dentro do conceito setenário da filosofia religiosa hinduísta, o Ego divino corresponde a mais alta esfera cósmica do ser humano, encarnado ou não, aquele que é punido ou recompensado por suas ações, tanto no período de descanso entre as vidas, assim como na própria experiência terrena,  submetido, portanto, à Lei do Karma.  

O Ego divino, que de tudo se lembra, não se manifesta no comando de uma existência física, por que o Ego da personalidade não o permite. A menos que o desenvolvimento espiritual de uma pessoa encarnada tenha suprimido ou esvaziado completamente o Ego humano. Se o Ego divino pudesse se manifestar sem impedimentos, não haveria mais Homens na Terra, pois seríamos todos Deuses. Este estado corresponde ao da Iluminação, o maior objetivo das várias vidas passadas por um Espírito no plano físico. 

Alguns sensitivos e pessoas especiais são capazes de "ver" fragmentos de vidas passadas, do próprio espírito eterno ou de terceiros, mas somente sob algumas circunstâncias especiais, que libertam o Ego divino dos entraves da matéria.    



segunda-feira, 10 de julho de 2017

DEUS, O ABSOLUTO, NÃO TEM FORMA


Peregrinas norte americanas descansam da longa caminhada.
Porta Santa, Santiago de Compostela
(foto minha)


Todo o UNIVERSO é apenas a manifestação do pensamento absoluto, sem qualquer forma. Por isso se pode afirmar que "há unidade em tudo", ou seja, que "todos somos UM", dado que o Absoluto é o Todo, incapaz de ser explicado pela nossa nossa mente concreta finita. 

Segundo nos informaram os mestres espiritualistas através de várias civilizações, a única coisa real é o espaço infinito, não dimensionado e eterno do Absoluto. Sua manifestação primordial está representada pela Mônada essencial que gerou o Plano Divino, a causa suprema. 

Neste sentido, nunca houve a "criação do universo", mas apenas um plano "divino" para gerenciamento das manifestações do Absoluto, do campo mais sutil ao mais denso. Por isso se diz que, quanto mais a manifestação do logos primordial do Absoluto se dirige à materialidade, configura-se um caminho de INVOLUÇÃO, e, ao contrário, quanto mais os movimentos   energéticos se dirigem aos planos sutis, vale dizer, ao mundo cósmico espiritual, chamamos a este processo como EVOLUÇÃO. 

Vista assim, a vida no plano físico (o mais denso) é absolutamente ilusória, ou seja, é o Mundo de Maya. Apenas o Absoluto é eterno e real.

Platão explicou, à sua maneira, o caminho de evolução

No entanto, em termos didáticos, dizemos que toda e qualquer manifestação está desdobrada em modo setenário no Universo. Por isso, a própria constituição do Homem é setenária, com sua tríade superior composta pelas camadas espirituais:
  • ATMA - O espaço onde está o raio do Absoluto, presente em cada ser humano, o fragmento da mônada essencial.
  • BUDHI - A alma espiritual. O campo do sagrado. A sabedoria. 
  • MANAS - O espaço inercial do mundo espiritual, acessável apenas a partir da Intuição e da Consciência Cósmica. O mundo mental superior, ou Causal, como dizem alguns. 

Por outro lado, o Ser Humano também possui uma parte mais densa, chamada "quadra inferior", os componentes da Personalidade. É a parte mais conhecida do ser humano, as camadas mais estudadas pelos especialistas e filósofos ao longo do tempo. De acordo com a herança da tradição védica, a Personalidade se divide em:

  • KAMA RUPA -  O espaço mental concreto, do intelecto.
  • LINGA-SHARIRA - O espaço vivencial das emoções, onde o Ego inibe a manifestação do Logos superior e tenta impedir a evolução do Ser no caminho da espiritualidade.
  • PRANA -  O envoltório energético que protege o corpo físico e mantém as conexões elementares com as realidades ao redor.
  • RUPA - A essência vital que suporta a vida física.  


Sendo assim setenariamente dividido, o arquétipo humano não deixa de ser reflexo do Absoluto. A explosão da Mônada essencial primordial está programada para gerar 70 bilhões de seres da Humanidade, ao longo das sete raças previstas pelo Plano Divino na Terra. Note-se que em nosso atual estágio, neste planeta, nesta raça e sub raça, somos cerca de seis bilhões de seres humanos encarnados. Em algum plano, dimensão e lugar devem estar os outros 64 bilhões ... alguns possivelmente nos observando a partir de um estágio evolucionalmente mais avançado.  Não deixa de ser uma boa notícia ...

  

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Sobre DEUS e a ORAÇÃO




No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus
e o Verbo era Deus... "

Assim começa o Evangelho de João. Ele usa o termo "verbo" (palavra), que foi como os romanos traduziram o termo original grego Logos,  para explicar que Deus está em todas as coisas. O conceito desse Deus no repertório judaico e cristão é o de um ser infinito e absoluto, um Jeová todo poderoso que governa o mundo e os homens com mão de ferro. Estas duas religiões, judeus e cristãos (e mais tarde os muçulmanos) projetam um deus único, criador do céu e da terra. Outras fontes religiosas, como o budismo e as seitas primitivas, consideram a existência de vários Deuses, um para cada propósito. Consta que na Índia, abaixo de Brahma, Vixnu e Shiva (principais deuses da fé hindu) existem mais de 300 outros deuses, cuidando de vários aspectos da vida e da natureza, de acordo com as crenças e costumes de cada região ou tribo.

Talvez um dos únicos consensos em termos religiosos universais é que DEUS é a manifestação da Energia Universal, o prana que interpenetra toda a matéria existente no sistema solar. Vamos ficar na nossa galáxia, por que o que existe fora dela ainda não somos capazes sequer de imaginar. Já é um grande progresso da humanidade nos olharmos para o SOL, pois, na idade média se tinha como perspectiva apenas o planeta Terra, e que era plano, bem lembrado...  

Nesta perspectiva do Deus presente em todas as coisas, uma primeira conclusão é que Ele precisa da matéria para se manifestar. Essa essência divina de tudo o que há no mundo físico, inquietante por sua própria natureza efêmera, é que faz a civilização avançar. Se olharmos para a história do mundo, chegaremos a conclusão de que a vida no planeta é uma constante mudança de paradigmas, pois é preciso desconstruir os cânones velhos para gerar o "novo". Portanto, sobre a constatação de que a Vida é UNA e IMUTÁVEL, devido ao poder e presença de Deus, impregnando todo o mundo material, somos obrigados a entender também que tudo muda, devido ao caráter transitório da condição material, da qual os humanos são parte. 

Neste caso, nós temos uma essência vital eterna e permanente, governando um mundo em mudanças. Acima disso tudo, paira a Divindade.

Como seria possível aos seres humanos nos comunicarmos com esta Divindade? A pedra filosofal desta comunicação está na ORAÇÃO. Orar é a expressão da força ativa interna do indivíduo, a expressão da vontade de se transmutar pessoalmente na interação com a força Divina. Não é exatamente um pedido feito a um ser externo, mas a invocação do Eu Superior, que é a presença divina dentro da própria pessoa. 

As primeiras orações de invocação do sagrado foram feitas através de sons e símbolos, chamados MANTRAS, especialmente no mundo oriental, desde muitos milhares de anos antes de Cristo. 

O Om é o mantra mais importante e o mais antigo que se conhece. Diz-se que ele contém o conhecimento dos antigos Vedas e é considerado o corpo sonoro do Absoluto, ou seja, Deus. Sendo o som do próprio Deus, ele faz o efeito de conectar o praticante com a essência cósmica constituída por materialidade e energia. Neste sentido, o Om é  o próprio som do universo e a semente que "fecunda" os outros mantras. A sua entonação é muito simples: basta encher os pulmões de ar e soltar pela boca semi aberta para entoar o som da letra 'O" e fechando os lábios para exalar o som da letra "M", produzindo um som parecido com com "Ommmmm..." até se esvaziar os pulmões. Encha-os novamente de ar e repita a entonação. Um sucedâneo do mantra Om é a entonação do "Amém", presente nos rituais cristãos atuais. 

A oração de fato tem poder, e, de acordo com a ética desde Platão, quanto mais poder,  mais responsabilidade. 

Assim como os mantras primitivos, a oração moderna desperta a essência divina que está presente em todas as coisas, emanando vibração, frequência e energia. Um simples !PAI NOSSO! se comunica, de forma ainda não explicada, com uma intensa rede de comunicação animada dentro da egrégora cristã, neste caso específico. Como um mantra oriental, a oração moderna praticada no ocidente também toca o divino presente em todas as coisas. 

O som produzido pelos grandes e inspirados compositores da música sacra animam a humanidade, e também a fazem se aproximar mais da essência divina, como no caso do alemão Bach, que dedicou sua vida à igreja evangélica luterana.  

A entrada da humanidade na Era de Aquário favorece os aspectos espiritualistas do ser humano. No vídeo abaixo, vemos um dos maiores artistas do mundo zen budista, Krishna Das, fazendo um concerto num importante templo cristão (metodista) de Nova Yorque. O mantra que ele entoa é um dos mais antigos da Índia. 









        

quinta-feira, 4 de maio de 2017

TEOSOFIA, ponte entre diferenças supostamente inconciliáveis




TEOSOFIA é uma palavra composta dos radicais gregos Theos (deus) e Sophia (saber). Significa, então,  “sabedoria de Deus” ou “sabedoria das coisas divinas”. 

No século III d.c. existia no Egito uma escola filosófica classificada como neo-platônica, por que se baseava nos conceitos clássicos do filósofo grego Platão (428 ac - 347 ac). Estes egípcios eram conhecidos como Philatetheus, que em grego, a língua que falavam, significa "amantes da verdade". Eram também Analogistas, por que não buscavam a verdade apenas nos livros, mas em estudos comparados dos fenômenos da natureza, da alma humana com o mundo físico, etc. 

Foi neste período que o filósofo egípcio Amônio Saccas e seu discípulo Plotino fundaram a Escola Teosófica Eclética. Este tema ficou bastante conhecido no ocidente quando a espiritualista russa Helena Petrovna Blavatsky, vivendo em Londres, liderou o movimento para fundar a Sociedade Teosófica, o que foi finalmente consolidado em 1875 na cidade de Nova Yorque, sendo o coronel norte americano Henry Steel Olcott seu primeiro presidente.  

Poucos anos depois, em 1878, Blavatsky e Olcott decidiram que a Sociedade Teosófica deveria fincar suas raízes na Índia, então sob controle inglês, para melhor cumprir sua missão de ligar o oriente ao ocidente, além de trazer a sabedoria do passado da humanidade para a sociedade ocidental atual, basicamente os Estados Unidos e a Europa cristã.  E partiram para viverem na localidade de Adyar, pertencente à antiga cidade de Madras, na Índia, para onde também foram morar vários dos teosofistas pioneiros, especialmente nos primeiros anos do século XX. 



Toda a concepção teórica e doutrinária da Teosofia moderna foi construída por Madame Blavatski ao longo de sua vida. Possuidora de uma mediunidade espiritual muito avançada, ela declara que sempre escrevia sob canalização dos "mestres de sabedoria", também conhecidos como Mestres Ascensos, que são entidades em estado avançado de evolução espiritual, existentes em dimensões muito acima da terceira, esta que ocupamos no plano físico como seres humanos vivos. A obra máxima de Blavatsky, A DOUTRINA SECRETA, serviu de base para os pilares doutrinários da Sociedade, mas ela escreveu muitas outras obras de grande complexidade. Por isso mesmo, quando já estava muito doente e pressentia a própria morte próxima, produziu sua obra final, também sob orientação espiritual superior, o livro A CHAVE PARA A TEOSOFIA, onde procura passar de forma simples e compreensível para leigos, os conceitos básicos por ela recolhidos dos mestres ao longo de sua vida. 

Blavatsky sempre fazia questão de afirmar que a Sociedade Teosófica não é proprietária ou criadora da TEOSOFIA, senão que apenas uma ferramenta para ajudar as pessoas a melhor compreenderem e praticarem o aprendizado teosófico, dos aspectos mais densos aos mais sutis. Como qualquer caminho de evolução espiritual, o teosofista deve se sustentar sobre quatro pilares básicos:
  • O estudo das obras e ensinamentos disponíveis, necessário para sua formação intelectual;
  • A meditação, para aprofundar sua conexão com os vários níveis do espaço sagrado interno;
  • O auto conhecimento, para poder identificar o potencial pessoal, assim como suas limitações; e
  • O serviço altruísta, uma parte de seu tempo dedicado de forma voluntária em benefício das pessoas que sofrem ou estão carentes de algo que o voluntário é capaz de oferecer,  sem esperar nada em troca. 

A Sociedade Teosófica tem como tema a frase escrita em sânscrito, Satyan nasti para Dharmah,  significando que não há doutrina ou religião superior à Verdade.


Construí minha casa num terreno de três mil metros quadrados.
A este empreendimento dei o nome de Chácara Mansidão.

Já os objetivos declarados no estatuto da Sociedade Teosófica são três:

1) Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor”.

Não é difícil compreender que a Humanidade é a grande órfã do mundo moderno em que vivemos, "a única deserdada sobre esta Terra", sendo dever de todo ser humano capaz de um impulso altruísta, fazer algo, por menor que seja, pelo seu progresso e bem-estar. Neste sentido, devemos compreender que existe uma "família universal", que é mais que uma "fraternidade", termo em si mesmo já impregnado de machismo e preconceito. Na verdade, a Família Universal inclui, além dos homens, os animais, vegetais e minerais. Todo movimento da vida no planeta está impregnado pela Alma divina. Aos seres humanos, cada indivíduo é possuidor de uma Alma derivada da Mônada que o gerou, ao passo que nos demais reinos existe o conceito de Alma Grupal. Por exemplo, todos os cavalos (ou bois, ou gatos, ou galinhas, ou couves, ou cobres) estão agrupados em uma mesma instituição do mundo trinário superior denominada Alma, correspondente ao seu grupo específico. A conquista de uma Alma individual só se dá quando o ser em evolução no Planeta atinge o status de Humano. No entanto, não cabe ao Ser Humano o papel de entidade superior, por que TODOS SOMOS UM, na medida em que todos os seres, sejam humanos, animais, vegetais ou minerais, somos feitos do  mesmo "barro" divino. 

2) Encorajar o estudo de Religião Comparada, Filosofia e Ciência”.

A explicação para a estrutura do Cosmos não se dá para uma criança, por que ela não tem as condições desta compreensão. Assim, o estudo se dá do mais simples para o mais complexo. A filosofia oriental pode ser incompreensível para uma mente acostumada aos dogmas do ocidente. Portanto, o ambiente de liberdade é imprescindível para a investigação da Verdade. De fato, a primeira coisa exigida por um ambiente de liberdade é a eliminação de dogmas.  A religião e a ciência caminharam separadas ao longo de muitos séculos. Agora, com as descobertas dos cientistas da física e da engenharia quântica, muitos conceitos científicos estão se aproximando da religiosidade. O próprio Einstein, talvez o maior gênio da ciência moderna, teve um intenso contato com vários mestres religiosos, entre eles o nosso Huberto Rohden, catarinense aqui de São Ludgero, perto de Tubarão. Quando Blavatsky propôs este objetivo, ela estava pensando também na disseminação do conhecimento antigo contido na literatura brahmânica e budista da Índia e do Tibet. Por outro lado mais racional, a compreensão dos fenômenos da natureza humana é importante para o crescimento espiritual, por que, como diz o axioma hermético empregado pelo mundo místico, "assim como é em cima, é em baixo", que tem mais ou menos o mesmo significado da frase "somos todos um".    

3) Investigar as leis não explicadas da Natureza e os poderes latentes no homem”.

Diz respeito à investigação científica e filosófica para o trabalho de desvendar os mistérios ainda ocultos à condição humana. As religiões tradicionais ocultam aos crentes a revelação de verdades espirituais, especialmente aquelas que possam ameaçar a fidelidade dos clientes à estrutura hierárquica eclesiástica. Nos movimentos teosóficos, estes bloqueios são inadmissíveis. Ao longo da história, as várias aglomerações humanas e nações criaram vários mitos e mistérios para explicar as razões de nossa presença aqui,  o que se espera de nós em termos práticos e qual será nosso destino cósmico. São druídas, egípcios, judeus, nórdicos, gregos, indígenas, tribos africanas, etc, detentores de conhecimentos muito importantes sobre a atual passagem humana sobre a Terra. Por outro lado, importantes escolas iniciáticas que apontam o futuro da humanidade estão em plena atividade. É importante conhecer seus conteúdos e visões de mundo. Sem preconceitos ou dogmatismos.  











quarta-feira, 19 de abril de 2017

OS SETE RAIOS





OS SETE RAIOS foram revelados a Elena Petrovna Blavatskaya (1831-1891), fundadora da Sociedade Teosófica. Ela os chamava por diferentes nomes. Sete arcanjos, Sete braços de Agnes, Sete raios do sol em arco iris, Sete primeiras almas ancestrais, etc. Como sabemos, tudo no Universo tem estrutura setenária, inclusive os corpos que formam o ser humano encarnado. 



Formada a Sociedade Teosófica (1875), vários escritores e pensadores se dedicaram ao tema dos SETE RAIOS, publicando várias obras a respeito. Arthur Ward (1910).  Alice Bailey escreveu toda uma coleção, inspirada pelo mestre tibetano Djwl Kul (1920). C.W.Leadbeater, o famoso escritor teosofista (1925). Guy Bailard (1930).  Geraldine Innocence (1951). Geofrey Hudson, um famoso clarividente nos anos 50, escreveu o livro Os Sete Temperamentos Humanos, mostrando que o mundo esotérico dá aos Raios diferentes nomes, assim como outros atribuem-lhes cores ou correspondências com os Mestres Ascencionados, etc.  No Brasil, o líder místico mineiro Trigueirinho estreou na literatura espiritualista com este tema, ao lançar o livro em 1988, "A Energia dos Raios em Nossas Vidas".

Neste artigo, inspirado na palestra do pesquisador teosofista Rafael Marques de Albuquerque,  procura-se compreender a interpretação do escritor Ernest Wood (1883-1965). Nascido e educado em Manchester (UK), foi coordenador do núcleo da Sociedade Teosófica local, com a idade de apenas 24 anos. Aderiu à Teosofia ao ouvir palestras da presidente Annie Besant e foi com ela e um grupo de teosofistas em 1909 morar em Aydar, Índia, sede da Sociedade, onde viveu muitas décadas e de onde saia eventualmente para visitas e palestras sobre Teosofia pelo mundo afora. Nos anos 1930, estabeleceu laços ideológicos e metodológicos com a educadora italiana Maria Montessori, que havia sido banida pelo regime de Mussolini. À convite da Sociedade, Montessori foi morar em Aydar e desenvolveu com Ernest Wood e outros teosofistas interessantes pesquisas sobre educação. A partir dos anos 50, Ernest Wood emigrou para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Houston, Texas, de onde trabalhava na divulgação dos métodos educacionais de Maria Montessori.    


Todas as linhas espiritualistas derivadas da Teosofia usam o conceito de Sete Raios, como forma de expressar o antigo segredo que se abriu para a Nova Era.  Helena P. Blavatsky chegou a ser reprimida por alguns dos seus mestres orientais, por trazer estes "segredos" para o ocidente.  Várias linhas e autores possuem diferentes visões sobre os Raios. Alguns lhes atribuem cores, outros heranças espirituais, dizem que há características boas e más, etc. Na verdade, os Raios nunca trazem sua porção supostamente má. O que pode haver de mal é não possuir as características atávicas que os Raios representam. É como se cada um representasse a herança da primeira alma de sua família espiritual, criada pelo Plano Divino logo foram também criados os tres primeiros Logos do Universo conhecido. Teríamos então sete grandes famílias primordiais e um dia seremos apresentados cada qual à nossa família, quando chegar a hora, e este momento será tão grandioso que é longo o caminho que temos de percorrer. Todos nós que ainda o estamos trilhando, na verdade estamos muito longe deste fausto acontecimento. Por enquanto, o que interessa é o que nós temos a oferecer, portanto, é bom desenvolver o potencial dos Raios, nem que seja para ajudar no crescimento das egrégoras da Luz no planeta Terra. Naturalmente, cada Ser vai desenvolver mais o Raio de sua família ancestral, mas é bom ter um pouco pelo menos de cada um. 

                       
PRIMEIRO RAIO - Poder, vontade divina. Energia interna de autonomia, não tem nada a temer no mundo. Raja Yoga. Animal: Camelo (animal que segue sempre adiante, o deserto não lhe é obstáculo, desde que esteja suprido com água). Corresponde ao Corpo Átmico. Signo Aquário.                        

SEGUNDO RAIO - Amor profundo, altruísmo, ação para os outros. Karma Yoga. Vaca, o animal sagrado na índia, que se doa ao trabalho em prol dos seus donos. Corresponde ao corpo Búdico.⁠⁠⁠⁠ Signo Peixes. 

TERCEIRO RAIO - Pensamento filosófico, para dentro, inteligência ativa, estudos abstratos. Jnana Yoga. Animal: Elefante. Corresponde ao corpo Mental Superior. Signos Touro e Libra. 

QUARTO RAIO - Equilíbrio. É o divisor de águas entre a Tríade Espiritual e a Personalidade. Seria o espaço da intuição e da consciência. Está ligado à paz, à sabedoria para conectar Matéria e Espírito, a lidar com opostos, fluidez, música e arte. Animal: Macaco. Abrange todas as Yogas, assim como todos os corpos. É realmente o Raio da completude do peregrino, trilhando o caminho da condição precária humana em busca da espiritualidade.  Signo Sagitário.     
                  
QUINTO RAIO - Certeza, conhecimento concreto, pensamento para fora, científico. Apegado a detalhes. Kundalini Yoga. Animal: Cavalo. Corpo Mental Concreto.  Signo Capricórnio.  
                     
SEXTO RAIO - Devoção ao divino, amor para fora, altruísmo idealista pela evolução da sociedade, Fraternidade Branca, lealdade. Bakti Yoga. Animal: Cachorro. Corpo Astral. Signos Escorpião e Áries. 

SÉTIMO RAIO - Sensações e sentimentos. Beleza sublime da arte, vontade aplicada para fora. Delicadeza, refinamento. Mantra Yoga. Animal: Gato. Corpo Etérico. Signos Câncer e Leão. 






sábado, 1 de abril de 2017

Juventude e Encanto



Jana, tão bonita quanto o pai. 


Darci Ribeiro chegou de manhã. Eu o levei para almoçar com a estudandata no restaurante do centro acadêmico. Nós o tratávamos com cuidado, tendo em vista seu anunciado câncer de pulmão (que o acabou matando muitos anos depois), que foi usado como motivo para voltar ao país alguns anos antes dos outros exilados.

--- Quer tomar uma água, professor ? 
--- Não, quero tomar uma caipirinha. 

Ali começou um estranhamento admirável. Eu pensei com os meus botões: "este é dos meus".  

Depois da palestra, estávamos todos no Bar Palácio, palco da boemia da esquerda intelectual de Curitiba. Darci se retirou por um tempo, anunciando que iria passar algumas obras literárias à moça mais gostosa da mesa. Duas horas depois voltaram, ambos de cabelos molhados. Inveja!