terça-feira, 1 de janeiro de 2013

No tempo em que as palavras eram importantes

1964 assistiu o início da ofensiva norte americana no Vietnam, substituindo os franceses que fracassaram na tentativa de evitar que aquele país caísse em mãos comunistas. Guerra fria. O Brasil antecipava em dez anos o ciclo das ditaduras militares sanguinárias na América do Sul.

Um festival de música folclórica nos Estados Unidos lançava um dos mais belos poemas do século passado. Cantado por seu autor, um jovem ainda desconhecido poeta e músico judeu nascido na fronteira com o Canadá. Sobrenome Zimmerman, que achou pouco atraente. Por isso, mudou para Dylan. Poeta inglês vinte anos mais velho que ele, igualmente belo e contestador. 



Nesta apresentação, Dylan já cortava duas estrofes de seu poema, para caber no formato comercial do festival. Um ano depois, o grupo The Byrds atingia o primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos e Inglaterra. Para isso, cortou mais um tantão, ficando só com a estrofe central, que cabia nos 2,5 minutos que a banda dispunha nas rádios do planeta musical. Menos no Brasil, onde o poeta não era considerado bom exemplo para a nossa juventude.   


Muita gente já disse que Dylan gosta de ouvir especialmente dois artistas brasileiros, ambos excelentes compositores, tanto nas letras quanto na inspiração musical. Evidentemente, seria pela sonoridade de seus cantos, já que provavelmente o caipira Dylan não entende patavina de nossa língua. Não duvido. No mundo na música, muitos mistérios inexplicáveis acontecem todo dia. 



















Aos que se atreverem a traduzir, vai a letra completa do Senhor do Pandeiro. 


Mr. Tambourine Man

Bob Dylan

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.

Though I know that evenin's empire has returned into sand,
Vanished from my hand,
Left me blindly here to stand but still not sleeping.
My weariness amazes me, I'm branded on my feet,
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming.

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.

Take me on a trip upon your magic swirlin' ship,
My senses have been stripped, my hands can't feel to grip,
My toes too numb to step, wait only for my boot heels
To be wanderin'.
I'm ready to go anywhere, I'm ready for to fade
Into my own parade, cast your dancing spell my way,
I promise to go under it.

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.

Though you might hear laughin', spinnin', swingin' madly crossthe sun,
It's not aimed at anyone, it's just escapin' on the run
And but for the sky there are no fences facin'.
And if you hear vague traces of skippin' reels of rhyme
To your tambourine in time, it's just a ragged clown behind,
I wouldn't pay it any mind, it's just a shadow you're
Seein' that he's chasing.

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.

Then take me disappearin' through the smoke rings of my mind,
Down the foggy ruins of time, far past the frozen leaves,
The haunted, frightened trees, out to the windy beach,
Far from the twisted reach of crazy sorrow.
Yes, to dance beneath the diamond sky with one hand wavingfree,
Silhouetted by the sea, circled by the circus sands,
With all memory and fate driven deep beneath the waves,
Let me forget about today until tomorrow.

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.



4 comentários:

  1. The Byrds tinha um senso comercial agudo. Tanto que fez enorme sucesso mundial, cantando coisas provincianas da América do Norte. Consagrou-se, mesmo, quando encarou a obra de Bob Dylan. Mas, seu forte eram os vocais. Nenhum outro país tem a tradição de grandes coros vocais como os Estados Unidos, e disso se aproveitaram os Byrds. E o fizeram muito bem!

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  2. Essa apresentação do dylan ta lindíssima hein! O cara sozinho preenche todo o espaco do palco

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  3. Muito legal Lalá...assim como espero seja 2013 para ti.

    Um abração.

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  4. Puxa vida, tanta história pra uma música. Musica linda. Amei, Greyce

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