segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Cidades e ousadias



Curitiba tem dessas coisas 


Cidades frias tem essa qualidade, a de chocar os caretas. Londres também é considerada uma cidade careta, fria, chuvosa, enfim, sem qualquer atração. Mas, é de lá a revolução do rock and roll, que antes dos Beatles era considerada uma dança "satânica" de negões do Mississipi ou de marginais da sociedade de consumo. 


A capital paranaense está mudando, eu sei, inclusive está deixando de ser uma cidade fria, graças à cobertura de asfalto e ao agigantamento da metrópole. Também está deixando de ter suas peculiaridades, como os velhinhos italianos ou alemães, com seus olhos azuis a tomarem café ou cachaça pelos bares, está se tornando uma cidade tão proletária e desigual como São Paulo, graças a sua periferia inundada de "pés-vermelhos" expulsos de suas terras pela nova tecnologia de produção agrícola. 

No entanto, sempre restará um cadinho de criatividade nos gestos escandalosos, que vez ou outra volta a desfilar em suas passarelas urbanas. Observem as várias pessoas caminhando apressadas pela Rua das Flores. A maioria não está nem aí para o cidadão de sunga, sem camisa, que toca sua bicicleta com toda calma do mundo, talvez voltando do Passeio Público para retornar a seu apartamento no Batel, subindo a Comendador Araújo. Talvez pare para tomar um trago no Stuart, bar centenário na Praça Osório, cujas copas aparecem ao fundo na foto. 




Cena do verão no Campeche, aqui pertinho de casa 
Claro que não dá para comparar a cena Curitibana com a da minha vizinhança no Campeche, que neste verão está "como o diabo gosta", como convém à estação do pecado. À beira mar pouca coisa pode ser considerada chocante! A praia é a passarela natural do desfile sensual, todos estão lá para isso mesmo, não há qualquer novidade. Quando cheguei para morar em Floripa, estranhei que as meninas desfilassem de mini saia e camiseta sem sutian pela Felipe Schmidt, e que os homens não "quebravam" o pescoço para admirá-las. Cheguei a especular sobre o caráter andrógino da cidade, mas, com o tempo fui compreendendo que os rapazes não têm por que se manifestarem como se manifestam os nervosos machos curitibanos ou paulistanos. As cenas de sensualidade são tão comuns que já não despertam tanta atenção. É como no Rio de Janeiro ou na Bahia, o inusitado já deixou de sê-lo, por que se transformou em rotina. Santa e abençoada rotina!


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