sábado, 20 de agosto de 2016

Inteligência e Razão




O Nous está para a Alma, assim como o Logos está para o Espírito.
O austríaco Viktor Frankl desenvolveu originalmente a Logoterapia,
a partir de suas experiências num campo de concentração nazista.

 

Nos meios intelectuais, nas igrejas, até nas escolas de psicoterapia, quase sempre INTELIGÊNCIA e RAZÃO são vistas como sinônimos. É um equívoco. Os antigos filósofos gregos já haviam percebido que acima da camada a que davam o nome de NOUS, associada com a INTELIGÊNCIA superior,  existia algo mais profundo. A esta plataforma superior de conhecimento intangível eles chamavam LOGOS, que pode ser traduzido como "o princípio cósmico da Ordem e da Beleza", em perfeita sintonia com a energia átmica da divindade. Nos ambientes esotéricos atuais costuma ser chamado de EU SUPERIOR.



  

O vocábulo Logos evidentemente vem do Grego e às vezes também pode incluir o significado do termo PALAVRA. Por isso, muitos teólogos acreditam ter sido esta a razão pela qual o Evangelho de São João, na versão romana, inicia com o verso "No princípio era o verbo e o verbo estava com Deus; e o verbo era Deus...". Só que, na verdade, a versão original em grego, encontrada em Éfeso, inicia com outra palavra "No princípio era o Logos ...", quer dizer, Jesus Cristo era tão perfeito em sua encarnação do Ser divino, que ele já iniciou o seu sacerdócio humano com o Eu Superior completamente manifestado. Mas, ele não se confundia com o Deus átmico, o Pai, tal como o conceito da Santíssima Trindade deixa bem claro.   



Este EU SUPERIOR, o Logos grego, é o verdadeiro mundo da Razão; e ele não se confunde com a psiquê ou a inteligência, que estão hierarquicamente abaixo. Por isso, os filósofos sempre foram mais capazes de perceber as diferenças entre Inteligência e Razão, ao contrário de outras áreas do conhecimento, como os psicólogos, por exemplo. 

Atualmente, um novo campo terapêutico está se abrindo. Chama-se Logoterapia (outros estudiosos, como o brasileiro Huberto Rohden a chamaram de Cosmoterapia, talvez de modo mais apropriado). O propósito deste novo campo de pesquisa é o DESPERTAR DO EU SUPERIOR, ou seja, da camada Logos dentro do indivíduo. Esta diferenciação entre Inteligência e Razão é explicada de forma simples pelo seguinte axioma: O 'LOGOS' CONSERTA AQUILO QUE O 'NOUS' ESTRAGOU. Isto significa que a Inteligência é capaz de gerar mais doenças do que pode curar. 




A Inteligência está associada ao Ego da personalidade humana e, como tal, cria doenças muito piores do que o próprio corpo físico é capaz. A medicina alopática cura o corpo físico, com base nos estudos do funcionamento fisiológico, correspondente ao campo SOMA, por isso são doenças Somáticas. Já as doenças derivadas do campo da personalidade são de natureza Psico-Somáticas; e dificilmente são curadas com ferramentas que trabalham no nível da Personalidade. Estas doenças precisam ser tratadas num nível superior, ao qual podemos chamar Logos. O problema é fazer esta conexão entre o Nous e o Logos.  

A Inteligência não permite ao Logos ser desperto, por que a Personalidade gosta de uma vida cheia de gozos e bem-aventuras. Então, na prosperidade dificilmente o Logos desperta, por que não encontra espaço, já que todos estão tomados pelo Ego da personalidade.  Quando vem uma fase ruim, o NOUS se inibe, por que não gosta de tragédias e desgraças. Neste ponto, o LOGOS desperta e toma conta do Ser. Ou seja, a adversidade faz decair o EGO e despertar o EU SUPERIOR. É a única risível vantagem da tragédia: permitir que seja revelado o caminho para se aproximar do mundo do Espírito, ainda que seja apenas uma breve e passageira sensação de que há mais coisas além da fronteira do sofrimento. 
Diante de um sofrimento profundo, pode também ocorrer que a pessoa prefira a auto destruição. Nos campos de concentração, há várias histórias de pessoas que se jogavam nas cercas eletrificadas, para morrer e acabar com o suplício da fome, do frio, das noites de insônias forçadas, das torturas e sofrimentos. O mesmo se dá nas prisões. Este pequeno poema encontrado numa cela de um centro de torturas durante a ditadura militar, dá bem a mostra do sofrimento psíquico e físico que acomete um prisioneiro naquelas condições:


"A colher voa, certeira,
Cortando o ar abafado da cela
Entre minha mão e a lâmpada no teto.
Estilhaços, vidro partido,
Fina lâmina, amiga,
Nos meus braços,
Nos meus pulsos
No meu sangue.
Luta amada,
De libertação".  

Já os que conseguem sobreviver aos infortúnios, quase sempre experimentam um grande crescimento espiritual. Na verdade, o caminho para se chegar ao mundo espiritual é a descoberta e o desenvolvimento do Eu Superior, que dispensa a inteligência racional e só pode ser acessado a partir da intuição e da consciência que habita cada Ser. O problema é que estes produtos não estão à venda nos super mercados. Eles precisam ser desenvolvidos. 

Isto não precisa ser feito necessariamente através do sofrimento, mas será sempre um caminho individual. Por isso é tão difícil estabelecer práticas e rotinas terapêuticas. Uma das formas de desenvolver o Eu Superior é a abertura das portas internas de percepção do Sagrado. Isso pode ser feito por orações, meditações, práticas rituais religiosas, etc. Porém, não adianta tentar entrar em contato com um Deus desconhecido e distante, imaginando-o numa certa galáxia nos confins do universo. O Deus que temos que procurar está em nosso próprio centro, o nosso Logos, o nosso Eu Superior. Somente através dele chegaremos ao Deus transcedental, ou seja, à Unidade conosco mesmo e com o mundo.


   
Tampouco é necessário se acreditar num certo Deus, para atingir o Eu Superior. A energia necessária é a do amor. NÃO a do amor romântico, senão aquela do amor fraterno e metafísico, por todas as coisas e todos os seres. Se o indivíduo conseguir desenvolver a consciência de um poder amoroso superior dentro de si, terá chegado à porta de entrada para o Logos, a coisa mais profunda que há na natureza humana. E poderá curar qualquer doença, física, emocional, mental e até mesmo espiritual.

 

 


 

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