Era certo que chegaria a hora de colocar nesta série de crônicas uma música brasileira. Não foi tarefa fácil. Em princípio, parecia óbvio que a canção deveria ser da pena de Vinícius de Morais, não é certo? Ele foi o maior poeta da música popular brasileira. Até poderia ser alguma de suas parcerias com Chico Buarque ou Antonio Carlos Jobim, mas, Vinícius tinha que estar presente. Então, comecei a ouvir canções ao lero, apenas para sintonizar aquelas que soassem melhor para colocar num blog como este. Não adiantava, por exemplo, publicar o samba da benção, que o poetinha fez com Baden Powel, por que ela não tem dores de amores, embora seja um maravilhoso canto à vida.
Até que cheguei no Tom Zé. Alguns de vocês já sabem de minha admiração pelo baiano, que fui buscar em São Paulo, para abrir a semana dos calouros da Universidade Federal do Paraná, uma vez que não tínhamos verba para trazer o Gonzaguinha, que era o preferido da galera, mas custava muito caro. Pois bem, Tom Zé arrombou a banca, fez show maravilhoso, deu palestra para os jovens e até participou de festas na cidade. Foi um verdadeiro encanto para todos. Agora, revendo sua obra, descubro estes versos numa canção de amor:
"Espalhar no céu, Beatles a granel"
Maior dedicação amorosa, impossível. Quando estamos apaixonados, somos apenas meros instrumentos a serviço do outro. Fica a lição de que "amar é fel e mel". Eu gostaria muito de ficar só com o mel, mas, volta e meia, me deparo com o fantasma do fel. Fazer o que? Amar !
Amar, amar
Ceder ao coração
A razão
E só, só, só viver
Pra ser
A casca pro outro
Viver.
E ter, e ter e ter
Amarguras mil sem ter,
Por que nem pra que tecer
E ser...
Como uma varinha de condão
Para quando riscar o chão
Espalhar, espalhar no céu
Beatles a granel
Em sonhos de papel
Porque na vida amar é fel e mel
Tudo bem alto,
Tudo baixinho,
Tudo calado
Tudo bem alto,
Tudo baixinho
Tudo..
Bela letra, bela música.
ResponderExcluirParabéns pela escolha. O Tom Zé colocou uma música gostosa e deu um banho na interpretação.
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