terça-feira, 21 de abril de 2015

9ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven, o alemão romântico.



Beethoven aos 50 anos, já completamente surdo. 

Para muitos especialistas, Beethoven foi o maior gênio da música de todos os tempos. Escreveu nove sinfonias completas, além de milhares de canções, sonatas e hinos religiosos. O mais interessante é que a maior parte de suas obras foram feitas quando já apresentava graves defeitos de audição, que começaram aos 31 anos de idade. Viveu mais 26 anos com essa dificuldade. Sua última obra, a Ode à Alegria, foi feita quando ele já estava completamente surdo, então, se deduz que as harmonias e movimentos perfeitos são resultados de sua memória auditiva, aguçadas pela criatividade de inventar novos sons que ainda não haviam sido propostos. De fato, os últimos anos da vida de Bethoveen foram os mais profícuos em termos de criatividade e inovação no campo da música, coincidindo justamente com a fase mais aguda de sua surdez. Nesses últimos anos, sua criação musical esteve focada nos pequenos concertos de quartetos de cordas, muitos deles carregados de uma espécie de abstração musical que chegava a escandalizar os clássicos. Ele estava só começando a ensaiar vôos mais altos, sons que enalteciam a natureza e a aliança entre deus e os homens, de uma forma como nunca havia sido descrita antes e que conduziria ao estilo Romântico, que sucedeu o Classicismo, assim como este havia sucedido o Barroco. 

Em 1824 o sonho visionário de Beethoven veio ao mundo real, a partir da união entre poesia e música, indo buscar sua motivação num poema épico escrito quarenta anos antes. Pela primeira vez uma sinfonia continha um movimento executado pela voz humana cantando um poema. A Nona Sinfonia levou dois anos para ser composta. A letra foi escrita pelo poeta alemão Friedrich Schiller, sobre o qual o Paradigma Cine Arte de Floripa passou recentemente um belo filme, "Duas irmãs, uma paixão", contando a vida pouco religiosa do alemão, tão problemático na vida pessoal quanto o próprio Beethoven. Interessante enfatizar que o poema foi escrito por Schiller quarenta anos antes da música de Beethoven. Impressionou de tal forma o compositor que ele o guardou todo esse tempo, esperando uma oportunidade para usá-lo, o que só veio acontecer no final de sua vida, na última sinfonia. 

Trecho traduzido do poema que tanto encantou Beethoven.

Em 1972 a Nona Sinfonia se tornou o hino oficial da União Européia. Hoje é tão conhecida,  que o solo de coral entra em espetáculos populares, como esse realizado perlo Coro Lírico Catarinense no Teatro Adolpho Konder, em Florianópolis.


Beethoven tentou forçar para que a sua nona sinfonia estreasse em Berlin, mas não teve jeito. Já naquela época a industria do entretenimento tinha suas preferências e mitos, de modo que a peça estreou mesmo em 1824 na cidade de Viena, o centro cultural europeu por excelência naquela época. Diz a lenda que Beethoven, impedido de reger por causa da surdez, sentou-se de costas para o público ao lado do maestro. Estava em concentração tão profunda, tentando acompanhar a execução olhando para as cifras da pauta musical, que não percebeu o fim da apresentação e o público o aplaudindo em delírio. Teve que ser trazido de volta à realidade através da ação de uma contralto do coral, que o virou para ver o público. 

A seguir, a versão completa da 9ª Sinfonia. 





2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Belíssima obra e belíssimos dizeres sobre o fim da vida e obra de Beethoven. Parabéns ao escritor Laercio!

    ResponderExcluir