sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

LUGARES IMPROVÁVEIS. Dinamarca.

Cenário onde um Shakespere exilado criou o drama Hamlet.
"beer or not to be".
  Que fazer? Ora, beber cerveja. 

A Dinamarca é um país alegre e progressista. Como todo o norte da Europa, ali predomina a fé  cristã e luterana, embora ninguém vá à igreja. Mas, eu notei que, como os católicos brasileiros, eles vão direto ao pastor da paróquia, em caso de qualquer problema mais sério na família. Quando por lá passei, havia uma febre de crianças, respondendo aos apelos do governo para evitar que o país se tornasse islâmico, devido à imensa onda de imigração proveniente do Oriente Médio. Os homens, quando não estão no trabalho, gastam o tempo bebendo a excelente cerveja nacional e falando bobagens. 

Antes de embarcar para a travessia noturna de transatlântico até a capital da Suécia, fui tomar uma gelada num boteco ao lado do porto de Copenhague. Um vizinho de mesa me perguntou para onde eu iria. Dada a resposta, ele tirou um sarro: " O que de interessante você espera encontrar, num país que sequer é capaz de cultivar morangos e rabanetes com as cores nacionais ?". Como se sabe, as cores nacionais da Suécia são verde e amarelo, como as nossas, ao passo que as da Dinamarca são vermelho e branco. 

Fora disso, são tão chatos como os suecos. 

Cheguei na estação central de Copenhague vindo de Colônia, Alemanha. Na fronteira, um policial dinamarquês entrou em nossa cabine, pedindo os passaportes aos que ali nos encontrávamos. À minha frente, um velhinho não entendeu as várias línguas nas quais o oficial a ele se dirigiu. Eu sabia que ele falava português, por que a viagem inteira ele não parava de ler um livro em cuja capa estava escrito "Bíblia Sagrada". Então, eu disse: "Senhor, este oficial está pedindo seu passaporte". Ele sorriu aliviado, e tirou do bolso do paletó o precioso documento. "Brasileiro???", me cumprimentou, agradecido. Era português, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Mundo pequeno!

A Dinamarca, Noruega e Suécia formam a comunidade escandinávia. Herdeiros da cultura e da tradição viking. Eles se consideram evidentemente superiores à própria raça humana. Se pudessem, exterminariam com toda gente que não fosse loira, esbelta, linda e gostosa. Não há a menor dúvida de que as mulheres daquela região são as mais lindas do planeta. Numa cervejaria, conversei um bom tempo com uma dessas deusas vikings. Elas têm grande curiosidade pelos latinos, mas, infelizmente a curiosidade, no caso, não foi suficiente para algo mais caliente. Ficamos apenas nas, digamos, preliminares. Ela estava de férias marcadas para o que ela chamava de paraíso tropical. Natal e Fortaleza. Ao México já tinha ido. Gostava de Cuba e de Fidel. Eu expliquei a ela que Havana ficava muito longe do Rio de Janeiro, que o Brasil não era só aquilo que ela imaginava em termos de praia e sol, enfim, que era um país real. Quando eu falei que caia neve no inverno a 100 km de onde eu morava, na Florianópolis marinha do sul brasileiro, ela achou que eu estava brincando e pediu desquite. 

É muito barato andar pela Dinamarca. As redes de fast foods são ótimas e estão pelo país inteiro. Até um sanduíche no MacDonalds é muito melhor do que o europeu ou o brasileiro. Pelo mesmo preço internacional. Os supermercados, lojinhas de bairro e armazéns de bebidas, seguem o modelo luterano alemão. São sem gosto e sem sal. Nada a ver com a exuberante e fantástica decoração francesa, italiana, espanhola ou portuguesa, deliciosamente católica e latina. Mas, a salsicha, a cerveja e os salames, continuam genuinamente saxônicos e insuperáveis. Restaurantes variam como o andar do caminhante. Há vários ambientes refinados, próprios para a consumação de príncipes locais e de alhures, assim como existem lugares apropriados para os que andam de mochila às costas. 

Aqui, não há tanto preconceito como na França ou Alemanha. Certa vez, descendo de Chamonix, nos Alpes Franceses, fiz uma paragem para troca de trens e tentei tomar uma cerveja. A dona da birosca disse que não tinha, ainda que nas várias mesas  do local, percebia-se claramente alucinados e falantes norte americanos gordos e ricos sorvendo litros e litros da bebida. Algo semelhante me aconteceu na Alemanha. Pedi uma cerveja num boteco com balcão para a rua. A atendente disse algo incompreensível e eu fiquei ser saber se ela iria servir ou não a bebida. Precisou um alemão que bebia ao lado me explicar, em inglês, que ela não tinha gostado da minha mochila. 

Na Dinamarca, não senti qualquer tipo de preconceito, a não ser de um sujeito que me repreendeu por eu ter adentrado ao jardim de um belo castelo, no interior do país. Eu disse a ele que não tinha visto qualquer cartaz com restrição de entrada, e ele respondeu que era livre, sim, mas apenas no verão. Estávamos com uma temperatura beirando os trinta graus do início de junho. Mas, é certo que ainda não era verão. Não disse a vocês que eles são chatos?


Copenhague é uma Amsterdam mais fria e delicadamente mais educada
















Pra terminar, foi em Odessa, sul do país, que eu fiz a refeição mais economicamente sustentável da minha vida de turista internacional. Um filé mignon argentino com maravilhosas e crocrantes batatas fritas, acompanhado de vários canecos da melhor brown beer do mundo, por apenas 10 dólares.  






  


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