terça-feira, 11 de junho de 2013

Bach, primeiro dos clássicos ou o último dos barrocos?

Bach (Riacho, em alemão) foi o primeiro dos clássicos ou o último dos barrocos? Esse é um dos mistérios da civilização ocidental, sobre o qual nunca houve e talvez nunca haverá consenso. 






Nascido, criado e falecido dentro da igreja Luterana, assim como seu pai que também foi compositor sacro, passou toda a vida a serviço do que imaginava ser o serviço de Deus. E para ele não existia mesmo outro Deus senão aquele velho Jeová luterano, de origem pré histórica nas tribos nômades dos desertos da Palestina. Um Deus resultante de vários enganos históricos. Bach não estava interessado nessas questões de discussões religiosas, bem próprias de seu tempo. Só queria amar sua família e servir ao Senhor. Nesta missão, foi modificando a música que se tocava nas igrejas, que, junto com os palácios, eram os lugares onde se desenvolvia a técnica de entreter pessoas com um barulho agradável, útil para dançar as alegrias ou chorar as tristezas, além de ser ótimo lenitivo e auxiliar no processo de suportar as alegorias religiosas que pastores e padres impunham como o padrão cristão de adoração. Não tendo outra coisa para fazer, e sendo por natureza trabalhador inquieto, Bach começou a "inventar" coisas. É dele a extensão das notas musicais para registrar os meio tons, utilizando os bemóis e sustenidos para ampliar a possibilidade de acordes. 

É autor de uma obra considerada básica, "O Cravo bem Temperado", composto com 24 peças entre prelúdios e fugas, onde ele cobre todo o quadro de tonalidades disponíveis. Ao longo da vida, Bach compôs mais de mil obras. Para se ter ideia da importância deste compositor, seu patrício Beethoven disse, em tom de piada séria, que ele deveria se chamar"oceano" e não "riacho".

A música de Bach vem sendo esmiuçada ao longo de mais de vinte anos pelo Coro Monteverdi, de Londres, considerado pela crítica como o melhor do mundo. Este coral rompe o paradigma do mundo da música, que é o de valorizar as orquestras. Quando uma determinada obra necessita vozes humanas, então a orquestra convoca um coro terceirizado para ajudá-la. Algumas sinfônicas e cameratas mais famosas possuem seu próprio coro, mas são raros, e, mesmo assim, tratam de deixar claro que os cantores não fazem parte da orquestra, tipo assim "Orquestra Sinfônica e seu coro".  Agora, com o Monteverdi Choir acontece o contrário. Quando ele se anuncia, as mídias de propaganda especificam "Coro Monteverdi e sua orquestra de Solistas Barrocos". 
Barrocos? Mas, Bach não foi o primeiro dos clássicos?


O maestro inglês John Eliot Gardiner formou sua própria orquestra em 1968, aos 25 anos de idade,  à qual deu o nome de Monteverdi, em homenagem a seu compositor italiano preferido. Coisa rara, em se tratando de britânicos. Com o tempo, foi migrando da música clássica convencional para uma especialização no estilo barroco. Percebeu que para isso era essencial a presença de um arcabouço vocal super especializado, dadas as características intimistas das canções. Isso fez com que formasse um conjunto de cantores para acompanhá-lo, o que resultou no futuro Monteverdi Choir, onde a presença dos cantores é tão ou mais importante que a da orquestra. Reparem nessa apresentação que segue, gravada na igreja onde Bach tocava na Alemanha. Os cantores estão num patamar acima da orquestra, dentro do palco improvisado no altar. Eu já cantei em várias apresentações onde ficávamos apertados no fundo, pendurados desconfortavelmente em puleiros de madeira perigosos, ou completamente escondidos do público, por que a orquestra tomava conta de todo o palco frontal. No caso do Monteverdi Choir isso não é apenas uma questão de posicionamento físico. É uma estratégia muito bem estudada e implementada. Que bom, para a auto estima dos coralistas, heim?








Um comentário:

  1. A partitura específica de cada voz traz para nós a noção da beleza que o conjunto é capaz de produzir. Diante disso, fica óbvio o porquê do encantamento da música, sempre que um coro a engrandece ainda mais.

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