domingo, 5 de fevereiro de 2012

House Burning Down e o homem sortudo


Antes de ler esta crônica, faça um teste para ver se você é mesmo uma roqueira das antigas. Se você não souber o que é rock progressivo, desista.  Ainda outro dia acompanhei uma interessante discussão no Blog do Luis Nassif, onde um sujeito postou o clip da canção "What a Lucky Man", um sucesso do rock progressivo dos anos 70. Outro gaiato, em seguida, informou que o grupo Emerson, Lake and Palmer (ELP) quase se tinha juntado com Jimmi Hendrix, isso lá por 1970. Para mim também foi um choque por que também achava que os estilos eram absolutamente diferentes, o guitarrista de Seatle vinha dos blues negros, enquanto o trio de inglesinhos limpinhos e bem educados vinha das baladas que lembram os "verdes campos de minha terra". No entanto, muitos outros posts seguintes apontavam evidências dessa intenção de Hendrix, que inclusive já havia feito os convites, mas repassou ao seu empresário a tarefa de agendar um encontro com os rapazes, para acertarem os detalhes. Claro que para o ELP não poderia haver up-grade de maior importância e aceitaram na hora. Marcaram para se falarem durante o Festival da Ilha de Wigth, na foz do Tâmisa, verão de 1970. Foi um festival muito tumultuado, muitas vaias e muito ti-ti-ti, além das usuais viagens alucinógenas, muita droga pesada mesmo, o mundo estava vindo abaixo naquele tempo. Parece que algum ex-Beatles e "amigos" arrastaram Jimmi para festas em Londres e o encontro não se deu. Ficou para outra ocasião. A morte, que não espera ninguém, adiou para sempre o negócio, levando Hendrix com menos de trinta anos de idade, numa nuvem de álcool e poeira de duas ínas, a coca e a hero.  Como teria sido esta união? Estável? Parece pouco provável. Vejam os estilos de cada um, representados por suas perfórmances de maior sucesso nas respectivas carreiras comerciais.  

The Best of Jimmi Hendrix (Hey, Joe) (há controvérsias, mas, vá lá)


The Best of Emerson, Lake and Palmer (What a Lucky Man)


Repensando bem sobre o tema, sabe que há, de fato, alguma parecência entre os dois? Em muitas apresentações o ELP improvisava nos sintetizadores de então, igualzinho fazia o Jimmi na guitarra. Claro que  as guitarras também evoluíram muito e se tornaram usinas de som, como os teclados de hoje, de forma que talvez dessa união frustrada pudesse ter saído um novo som. Tem paciência para comparar, mais uma vez?   

Na canção "Promenade", o ELP dá uma pequena mostra de como poderia ser sua parceria com Jimmy Hendrix. Dissonâncias, ruídos esquisitos e gritos extra terrestres de supostos "pais de santos" eletrônicos. Será que suportaríamos tal pajelança? Muitos iriam pedir pela volta dos Incríveis e o "Eu Te Amo Meu Brasil, Eu Te Amo", que tanto sucesso fez em 1970.  

Vamos ouvir o ELP, que é melhor.

 Compare com o que Hendrix fez em "House Burning Down"


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