domingo, 5 de fevereiro de 2012

No vai e vem das suas cadeiras, meu bem, pro dia nascer feliz.


Em 1974 eu tentava a vida em Curitiba. Tinha conseguido um bom emprego na Companhia de Eletricidade, que havia me pago um curso de programador  de computador na IBM,  o qual foi ganho em concurso público, que, mesmo não sendo necessário pela lei daquela época, assim foi feito, por que certos gestores da ditadura costumavam respeitar princípios éticos mais que os políticos de hoje.  Pois bem,  nessa altura do progresso profissional, eu já estava saindo das espeluncas estudantis no entorno do passeio público e  alugando apartamento próprio na avenida Iguassu, quando me apareceu uma moça ligada ao MR8 e ao centro acadêmico da minha faculdade. Achando graça no meu modo de ser, assim que me pediu em namoro também me presenteou com o álbum "The Dark Side of the Moon".   Foi minha introdução ao rock progressivo.

Eu já tinha visto um show do grupo "O Terço", já conhecia o disco "Milagre dos Peixes",  admirava Donovan e seu must "Atlantis", assim como a canção "Crimson and Clover, over and over", que fazia a voz do cantor entrar por canos de órgãos eletrônicos, produzindo sons distorcidos, como distorcidos eram os acordes de Jimmi Hendrix e Santana, nas esquisitas guitarras. Mas eu gostava mesmo era dos countries de Bob Dylan e Neil Young. Mais pelo ritmo  do que pelo conteúdo, já que não entendia nada do que eles diziam naquela língua estranha que meu fraco inglês não podia decifrar.

O Brasil vivia o caos do fechamento cultural e político. A ditadura não permitia nada, nem filmes, nem músicas, nem livros. Tudo que entrava aqui tinha que passar pela censura do regime fascista. Vivíamos a transição de Médici para Geisel.  A propaganda oficial havia apresentado o General Garrastazu como sendo descendente dos Médici italianos, os patrocinadores do gênio do renascentismo, Leonardo da Vinci,  ainda que este Médici se comportasse como um facínora de Hitler.  Assim é a propaganda... de modo que a expectativa quanto a chegada agora de um general alemão era a pior possível, porém, Geisel se mostrou bem mais centrado e entendia de geo-política, coisa que os generais anteriores ignoravam. Ele viu que a ditadura já estava muito desgastada e que o Brasil precisava se abrir ao mundo, se quisesse efetivamente virar a potência que os militares haviam projetado.  Então lançou o projeto "Anistia", para pacificar e reorganizar o país, o que de fato só foi acontecer no ano de 1979.

Nos anos oitenta explodiu o rock brasileiro, junto com a explosão de todas as demais formas de arte e manifestação popular no país. Agora, as festas rolavam Brasil afora, animadas pelo vai-e-vem-das-suas-cadeiras, conforme cantava o jovem mestre Cazuza. 


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