terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O dia em que a música morreu



Tenho a mania dos norte americanos de fazer listas dos melhores em tudo. Isso não encontra correspondência na cultura brasileira. Muita gente diz que eu sou muito ansioso, que não respeito o ritmo natural das pessoas, que espero resolver tudo muito rápido, que não dou tempo para a necessária adaptação dos sentidos aos passos executivos necessários a uma boa harmonia que leve ao conforto existencial, enfim, que meu combate vai contra ao bem estar das pessoas amadas e companheiras.  Concordo que sou mesmo assim. Mas, será que sou único !!!


Quando penso que Elvis Presley era censurado na TV americana por que dançava rebolando os quadris, dou graças pelas mini saias das nossas amiguinhas de colégio. Roberto Carlos foi o brasileiro que mais se aproximou do espírito daqueles anos, quando cantou nossas gloriosas tardes de domingo e falou da dança de rosto colado, dos inesquecíveis romances que explodiam em nossos corações adolescentes. Os anos sessenta foram os anos do Rock and Roll e da contestação, das barricadas de Paris, das últimas manifestações civis possíveis contra a ditadura militar no Brasil, antes que a juventude desesperada pegasse em armas ou caísse nas drogas. Foi o tempo da queima diária de bandeiras pelos pacifistas nas ruas da América do Norte. O movimento hippie promovendo o verão do amor em San Francisco, Califórnia, para onde se dirigiam as multidões em 1969, cruzando a grande nação norte americana em busca de paz.  Todos os que empreendiam aquela jornada se asseguravam de usar alguma flor presa aos cabelos, como dizia a canção do lider dos Mamas and the Papas. Ou escolhiam aquele lugar para passar o resto de seus dias, como na canção do gênio e santo Eric Burdon e seus britânicos radicais, que imigravam aos montes para a nova terra prometida do amor e da paz.  

A música símbolo dessa época poderia ser qualquer uma da banda The Beatles. Assim como também poderia ser dos The Beach Boys. Havia uma certa competição entre as bandas americanas e inglesas. De acordo com uma enquete do portal Yahoo, as cinco melhores bandas inglesas de todos os tempos foram  Led Zeppelin, The Beatles, The Who, Pink Floyd, Queen e The Rolling Stones. Apesar de milionárias e cheias de charme, todas foram inspiradas no pobre e negro som produzido nas terras ao longo do Rio Mississipi.  Esta lista significa um certo consenso de público e crítica, pois as variações são poucas. Eu, por exemplo, colocaria The Moddy Blues no lugar do Queen, mas, sem dúvida, Led Zeppelin é imprescindível no topo da lista. 


Já a relação das bandas norte americanas tem muito mais variação, até por que o rock de lá também é mais variado.   Na verdade,   o Rock and Roll se transformou  num  grande  negócio, apesar de ter começado inocentemente pobre com os pioneiros negros, os quais poderíamos homenagear usando a figura de Litle Richard, o fundador da expressão " ♫ Wop-baba-lou-bop__a-wop-Bam-Boom ♫".  Se Elvis foi o maior de todos e transformou o Rock numa religião civilizada, Litle Richards foi seu diabinho selvagem particular.

Se fosse mesmo necessário escolher uma música símbolo, eu, por mim, escolheria algo que juntasse protesto e poesia, bíblia e satanás, beleza e morte, judeu e ateu, branco e preto, extremos assim.... Enfim, o equilíbrio entre diferenças mortais. Esta tarefa ficou mais fácil para mim, quando conheci uma canção que condensa todas as experiências do rock and roll, em torno de um único evento trágico, a morte do roqueiro Buddy Hollie numa madrugada gelada de fevereiro de 1959, quando espatifou seu pequeno avião num milharal do interior do estado de Iowa, indo para um show em Dakota do Norte. 

Essa canção chama-se "O dia em que a música morreu". Em seu longo poema, o autor e cantor Don McLean traça uma série de referências aos grandes rock-and-rolls da década dos anos sessenta, canções como "My Generation", do The Who, "Sargent Pepper", dos Beatles, bandas como "Ten Years After", "The Birds" e atores como James Dean, misturando tudo no mesmo panelão poético, temperado com o veneno da aventura de morrer jovem, como infelizmente aconteceu com Buddy Hollie, Jimmy Hendrix, Janis Joplin e, mais recentemente,  Amy Winehouse. 







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